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Cadeira nº. 28 – Patrono: Mário de Andrade

Advogado, economista e jornalista. Nasceu em Vera Cruz – SP, no dia 18 de abril de 1939. Autor de Memórias de um bom sujeito I, Memórias de um bom sujeito II e Memórias de um bom sujeito III.

O INCOMPARÁVEL

Na história da humanidade nada se compara a Ele em qualquer latitude ou longitude que se possa imaginar.

Nasceu há mais de dois mil anos, de maneira milagrosa, por obra e vontade de Deus. Com Ele, nasceu a Santíssima Trindade, pedra basilar do maior movimento vivencial e espiritual de todos os tempos.

Foi a partir do Seu nascimento que a história passou a ser cronometrada: antes de Cristo ou depois de Cristo.

Viveu na pobreza e cresceu na obscuridade. Nunca fez longas viagens e apenas uma vez cruzou a fronteira de terra estrangeira, isso durante o Seu exílio no Egito, na Sua infância e por vontade de seus pais terrestres.

Ele nunca possuiu nem bens materiais nem nenhum poder político. Sua família era quase desconhecida, não tendo preparo intelectual e, muito menos, posição social.

Na Sua infância aterrorizou um rei, que tentou matá-lo.

Na sua juventude, sem nunca ter feito nenhum curso de alfabetização, deixou perplexos os doutores em filosofia, em religião e nas leis vigentes de então.

Na sua maturidade comandou a natureza, andou sobre as ondas agitadas do mar e ordenou calmaria às tempestades. Curou multidões das mais odiosas doenças e ressuscitou mortos com apenas uma palavra.

Nunca escreveu um livro sequer, mas todas as bibliotecas do mundo, em conjunto, não podem comportar os muitos volumes escritos sobre Ele e seu movimento.

Nunca compôs uma única canção; no entanto, fornece tema para mais hinos e canções que todos os compositores do mundo forneceram ao longo de toda a história da humanidade.

Nunca cursou nem fundou nenhuma universidade, mas matriculou, na sua Doutrina, mais discípulos do que todas as universidades do mundo em conjunto.

Nunca possuiu uma única arma, mas nenhum general teve em seu exército, em toda a história, mais soldados voluntários do que Ele.

Nunca estudou medicina ou psiquiatria, mas ainda hoje cura mais corações partidos do que todos os médicos e psicólogos de todo o mundo, juntos.

Os grandes líderes, em todos os tempos da história, entraram em cena, reinaram, lideraram e desapareceram. Porém, o nome deste Homem se engrandece cada vez mais. Apesar de terem se passado mais de dois mil anos desde Sua morte inglória, Ele está mais vivo do que nunca.

Ninguém conseguiu destruí-Lo e nem o sepulcro pôde detê-Lo.

Ele permanece cada vez mais incrustado no coração das pessoas, firmando-Se como o maior líder da história da humanidade.

É reverenciado por reis e poderosos. É o amparo e o consolo para os mais humildes. É a referência seqüencial de todos os seres humanos. É a esperança que não morre nunca no coração das pessoas.

Mesmo os que teimam em não aceitá-Lo como filho de Deus têm temor e respeito por Seus ensinamentos.
Os que vivem sem Ele e seus ensinamentos vivem sempre aflitos e cheios de temor do futuro e sem esperança no presente.

A maior festa da humanidade é a comemoração do Seu aniversário.

Natal é a festa natalícia do Homem mais poderoso que o mundo já conheceu.

Ele é Jesus Cristo, o Incomparável.

***

Contato:

ADEMAR SCHIAVONE
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Zona 01 – Maringá – PR / CEP: 87013-230
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Cadeira nº. 23 – Patrono: José Lins do Rego

Alberto Paco é contabilista e empresário. É membro da UBT e do Elos Clube, seção Maringá. Autor das obras O Homem do Rio (romance), No Coração do Vulcão (romance), Caminhos… (poesias), Presídio Feminino (romance policial),Conjugando o Verbo Trair (romance), Focos de Fogo (contos), As Amantes de Carolino (romance), Mãe Solteira (romance) e Estupradores (romance policial).

A DENTADURA

Salviano e Maria Alice formavam um simpático casal de portugueses residentes em uma cidade próxima ao Rio de Janeiro.

Proprietários de movimentada lanchonete, trabalhando com afinco formaram excelente patrimônio, pensando usufruir uma velhice sossegada, sem ficarem dependentes dos parcos proventos recebidos da aposentadoria, quando a velhice chegasse.

Somente um obstáculo conturbava a felicidade do laborioso casal: a falta de um filho.

Depois de muitas tentativas, usando todos os métodos imagináveis, sugeridos pelas “comadres” da vizinhança sem nenhum resultado positivo, decidiram consultar um médico especialista no assunto.

Muitos exames foram efetuados. Muitos medicamentos experimentados. Finalmente, após sete anos de intenso tratamento, Maria Alice engravidou. No tempo certo nasceu uma robusta e bela criança do sexo feminino, para alegria geral da família, da vizinhança e dos clientes da lanchonete, todos sabedores da luta insana travada contra a natureza física de Salviano e Maria Alice pelo renomado médico especialista em genética.

A vida do casal continuou com o mesmo ritmo de trabalho, agora com alegria redobrada, acompanhando o desenvolvimento de sua querida filhinha. Com o passar dos anos, a pequena Ângela desenvolveu-se física e intelectualmente acima dos padrões normais.

O físico avantajado provinha da avó paterna, uma senhora de tamanho acima do comum no sexo feminino.

Com quinze anos de idade Ângela tinha muitos centímetros acima de suas colegas de estudos e sua compleição física nada tinha de raquítica ou esquelética. Não que fosse considerada gorda, mas era forte acima dos padrões normais.

Sua inteligência acompanhava os dotes físicos. Assimilava as matérias com facilidade. Enquanto seguia os estudos tradicionais no Colégio, freqüentava diversos cursos paralelos, tornando-se uma moça prendada.

Ao atingir a maioridade foi premiada com uma viagem à cidade de Braga, capital do Minho, em Portugal, onde vivia uma irmã de Maria Alice com seus familiares.

A casa dos tios era um local acolhedor, tanto pelo lugar paradisíaco quanto pelas pessoas que lá habitavam.

O casal Marcos e Carmem tinha três jovens filhos com idade aproximada da de Ângela. Nilce, Valdo e Adauto adoraram a prima e uma grande amizade surgiu entre eles.

A permanência de três meses inicialmente programada, no fim da qual aconteceria seu retorno à casa paterna foi-se prolongando, e a jovem brasileira Ângela não voltou mais para a companhia de seus genitores.

A companhia dos primos e tios em clima de constante festa e diversão contrastava com a vida monótona da casa paterna em sua cidade natal, a qual se resumia às idas e vindas da escola para casa e vice-versa. Esporadicamente, nas férias escolares, era realizada uma viagem para casa dos tios e primas na cidade de São Paulo.

Ângela se fixou definitivamente em Portugal. Entre os muitos amigos apresentados pelos primos encontrava-se um jovem policial por quem ela se apaixonou e com quem casou, na presença dos pais e dos padrinhos de batismo, que viajaram do Brasil para lá a fim de abençoarem sua união.

Dali por diante Salviano e Maria Alice viajaram diversas vezes para Portugal onde tentavam persuadir a filha a voltar para casa, agora acompanhada pelo marido, mas todas as tentativas foram infrutíferas.

Salviano era excelente anedotista. Qualquer piada ou “causo”, por menor graça que tivesse, contado por ele era sucesso garantido para se darem boas risadas.

Seu falecimento precoce, ocasionado por doença a princípio desconhecida, deixou os parentes e amigos consternados. A doença que o vitimou é muito rara. Esclerodermia, conforme se lê no dicionário, é uma atrofia dos nervos que faz o paciente definhar lentamente, sem sentir qualquer dor. Os órgãos e tecidos do corpo vão encolhendo lentamente, fazendo lembrar um maracujá depois de colhido e exposto ao tempo.

O paciente vai perdendo o controle dos membros e perdendo as forças, precisando ser alimentado por outra pessoa. Finalmente a garganta vai-se contraindo, deixando passar somente líquidos, até a falência total do organismo, o que fatalmente leva ao óbito. Essa doença, para a qual até agora não tem nenhum medicamento que possa senão reverter o fluxo, ou pelo menos estacionar o efeito progressivo, atinge uma pessoa em cada sete milhões, e é mais freqüente no sexo feminino.

Foi deprimente ver aquele homem alegre e falante ir lentamente abandonando a vida sem um queixume. Apenas se notava nele a triste lembrança de partir sem ter conseguido trazer a filha querida de volta ao lar. Não teve a alegria de conhecer o lindo netinho, que nasceu dois anos depois de sua última viagem à terra onde ele e a esposa nasceram.

Nessa última viagem por terras portuguesas, aconteceu uma peripécia que ele, já no começo de sua grave doença, contava com prazer, para tristeza de sua “menina”, como ele tratava sua esposa Maria Alice.

Antes de viajar para fora do Brasil, Maria Alice decidiu dar uma “incrementada” em seu visual. Trocou a dentadura desgastada pelos anos por outra novinha, com dentes de uma brancura brilhante. No dia da viagem colocou a dentadura nova e seguiu com o marido a caminho do aeroporto. No dia seguinte chegaram à cidade do Porto.

Os parentes estavam esperando o casal junto com Ângela e o marido Nuno. Após os cumprimentos de praxe, com muitos abraços e beijos de todos os presentes, Salviano disse para a filha:

– Olha o presente que tua mãe ganhou antes de viajar.

Virando-se para a esposa, disse alegremente:

– Menina, deixa nossa filha se espelhar nos teus dentes novos!

Maria Alice ralhou com o marido, mas, instada pelos presentes, deu um arremedo de sorriso, deixando aparecer uma pequena parte dos dentes novos. Todos aplaudiram e em seguida viajaram de carro até Braga.

Os dias que se seguiram foram ocupados com viagens para diversas localidades onde moravam familiares.

Maria Alice sentia saudades da velha dentadura aposentada no Brasil antes do início da viagem, porque a nova não se encaixava com a precisão necessária e ocasionava desconforto.

Poucos dias antes de voltar ao Brasil, o casal esteve na cidade do Porto despedindo-se dos familiares. Um lauto almoço foi servido como despedida e logo em seguida entraram no ônibus que os levaria até a cidade da Régua e dali para Braga, onde pegariam as malas e viajariam de volta ao Brasil e aos negócios que os esperavam do outro lado do Atlântico.

Próximo à cidade de Amarante o ônibus que transportava o casal saiu da auto-estrada e adentrou uma estradinha estreita que serpenteava por entre a densa floresta de uma elevada serra. As curvas eram acentuadas e em grande quantidade.

Maria Alice começou a sentir forte enjôo ocasionado pelos solavancos do ônibus no asfalto rústico. O estômago estava “embrulhado” obrigando-a a um esforço sobre-humano para segurar o que tinha dentro, mas houve um momento que o organismo foi mais forte que a vontade.

Maria Alice enfiou a cabeça para fora da janela e regurgitou todo o almoço de uma vez. O impulso interno foi tão forte que a dentadura mal segura voou em direção aos arbustos que margeavam a estradinha estreita.

Salviano, que tentava socorrer a esposa, viu quando os dentes muito brancos refletiram a luz do sol enquanto desapareciam em direção à mata. Instintivamente gritou:

– Motorista! Pare o ônibus!

Assustado com o repentino grito, o motorista pisou fundo no freio, fazendo com que os passageiros fossem projetados contra os bancos à sua frente, felizmente sem conseqüências graves. Inquirido pelo motorista sobre a razão do repentino apelo, Salviano respondeu simplesmente:

– Minha mulher perdeu a dentadura!

– E isso é motivo para fazer parar o ônibus? Era só abaixar e procurar debaixo das poltronas.

– É que saiu voando pela janela!

– Só faltava essa! Onde se viu dentadura com asas?

Salviano explicou a maneira como a dentadura saiu do ônibus, mas o motorista não queria perder tempo. Deu partida, ligando o motor para seguir viagem. Os outros passageiros, solidários com os “brasileiros”, não deixaram que o ônibus seguisse viagem sem antes procurarem a famosa dentadura. Todos desceram e começou intensa busca, afastando arbustos e pedras à procura do tesouro perdido.

A estradinha não tinha acostamento. Embora com pouco trânsito, nesse curto espaço de tempo dois carros de passeio, um trator e outro ônibus de passageiros se enfileiraram atrás do ônibus parado. Imaginando tratar-se de algum acidente, desceram de seus veículos, procurando informar-se do ocorrido. Entre risadas de deboche e palavras de compreensão, todos se empenharam nas buscas até que um garoto que se havia afastado para longe gritou:

– Achei! Achei! – dizia alegremente o garoto, levantando o braço para que todos vissem o troféu. Os dentes branquinhos refletindo a luz do sol mostravam seu largo sorriso por voltarem ao convívio de sua dona, que, encolhida no banco do ônibus, tentava se passar despercebida para esconder a vergonha ocasionada pelo imprevisto incidente.

Enquanto isso, Salviano alegremente agradecia a compreensão de todos, que saíram dali sorridentes, felizes por terem uma bela história para contar!

***

Contato:

ALBERTO PACO
Av. Guaiapó, 981 – Maringá – PR
CEP: 87047-000
Telefones: (44) 3268-4687 / 9982-0926
E-mail: albertopaco@wnet.com.br

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Cadeira nº. 32 – Patrono: Oswald de Andrade

Antenor Sanches é funcionário público aposentado. Nasceu em Uruguai – SC, no dia 11 de fevereiro de 1927. Autor de Maringá, sua história e sua gente; A cidade canção e Maringá de outrora e agora.

A DESCOBERTA DO NORTE DO PARANÁ

O Norte do Paraná foi descoberto em 1925, logo após a construção da estrada de ferro ligando Ourinhos – São Paulo a Cambará – Paraná. A Companhia de Terras do Norte do Paraná, que a partir de 1952 passou a denominar-se Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, adquiriu do Governo do Estado e de diversos posseiros a maior parte da terra inexplorada e assumiu a posse de 515 alqueires paulistas e mais 30 mil alqueires posteriormente, cujos títulos foram cuidadosamente examinados, para evitar futuras questões e impedindo, assim, o surgimento de qualquer dúvida quanto a legitimidade dos títulos.

O Norte Novo surgiu em 1930, com a fundação de Londrina. Entretanto, o desenvolvimento desta região iniciou-se no ano de 1934, com a abertura dos primeiros núcleos urbanos. Para formá-los foram idealizados e foram projetados quatro núcleos, instalados sucessivamente, distantes entre si aproximadamente 100 km, assim destinados: Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama, situados em pleno sertão, que tiveram projetos minuciosamente detalhados quanto à observância da técnica do urbanismo, para que se tornassem metrópoles dodelares, de acordo com a altimetria de cada cidade, visando o conforto e o bem-estar de suas populações urbanas e a execução adequada dos serviços públicos, pré-fixando as zonas do centro cívico, comércio, indústria e residencial. E necessário se faz destacar que Maringá recebeu as melhores atenções da Companhia de Terras, as quais motivaram o seu progresso, que não parou no tempo e continua tão forte conforme começou.

*

DATA OFICIAL DA FUNDAÇÃO DE MARINGÁ

A região de Maringá teve três datas distintas de fundação, que são as seguintes:

1ª. – O INÍCIO DO DESBRAVAMENTO

O desbravamento da região de Maringá teve início em 1935, quando esta cidade ainda não existia, com a derrubada da mata virgem para o plantio de café. Os lotes rurais eram comprados nos escritórios da Companhia de Terras Norte do Paraná em Londrina, a cujo município toda esta região pertencia. Em 1943 foi criado o município de Apucarana, ao qual o patrimônio Maringá Velho passou a integrar. E em 1946 aquela companhia requereu lá o Alvará de Licença, para o início da colonização de Maringá, que em 1947 passou a ser distrito de Mandaguari.

2ª. – A ABERTURA DO PATRIMÔNIO MARINGÁ

No ano de 1942 a Companhia de Terras passou a denominar-se Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Abriu o Patrimônio Maringá Velho, com seis quadras em meio à mata, criado na condição de um “ponto de apoio” para os proprietários de lotes rurais, que já moravam nesta região desde 1935, para compras de mantimentos, ferramentas de trabalho e outras utilidades domésticas e, também, para a venda de seus produtos. Em 1941 diretores e engenheiros da Companhia de Terras haviam se reunido numa barraca coberta de lona, no local onde começava a ser derrubada a mata, para a abertura do Patrimônio Maringá, e para escolher o nome que seria dado à cidade que nascia. Naquela ocasião, os caboclos machadeiros, que faziam a derrubada, cantavam a canção “Maringá”, de Joubert de Carvalho, que era sucesso nacional, e a qual inspirou o nome da Cidade Canção.

3ª. – A FUNDAÇÃO OFICIAL DA CIDADE

No dia 10 de maio de 1947 foi fundada oficialmente a cidade de Maringá, ocasião em que a Companhia Melhoramentos iniciou a derrubada da mata do Maringá Novo (como era chamado), abriu escritório aqui, começou a venda de datas de terras, e hoje, chegando aos 62 anos de fundação, é a terceira maior cidade do Estado do Paraná.

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Cadeira nº. 27 – Patrono: Manuel Bandeira

O professor universitário A. A. de Assis nasceu em São Fidelis – RJ, no dia 07 de abril de 1933. Autor de Robson; Itinerário; Bate-papo; Trovas de paz e amor; Os quebra-molas do casamento; Lufa-lufa; Chiquinho; Felicidade sem camisa; Da arte de ser pai; Desafio do amor; Carta aos moços; Xangrilá; O português nosso de cada dia; Poêmica; Caderno de Trovas, A missa em trovas; Tábua de Trovas;Trovas Brincantes; Trovas Brincantes II e Triversos travessos.

Triversos travessos

01
Passa a teoria
por debaixo do arco-íris.
Vira poesia.

02
Saudade por quê?
Pra voltar a ser criança,
basta um bilboquê.

03
Andorinha sobe,
andorinha sobe e desce,
faz um “s” e some.

04
Dizem que a cigarra
nada faz senão cantar.
Ah, é indispensável.

05
Da folha de amora
para o lencinho da amada.
Mágico tear.

06
Estrela cadente.
Vaga-lumes se alvoroçam
cobiçando a vaga.

07
Casal de velhinhos
na janela olhando a Lua.
Tão longe a de mel…

08
Assanhadas rosas.
Disputam a preferência
de um raio de sol.

09
Ursinha moderna.
Toda noite, após a lida,
na internet hiberna.

10
No meio do pasto
um ponto de exclamação.
Último coqueiro.

11
Alô… é da Lua?…
Manda uma cheia, com flores,
para a minha amada.

12
Florzinha silvestre
no jardim do shopping-center.
Êxodo rural.

13
Do asfalto se avista
ao longe um carro de boi.
Cheinho de histórias.

14
Pálidas pernocas
na areia pegando cor.
Ou pescando amor?

15
Mosca na parede.
Avisem à lagartixa
que o jantar chegou.

16
Menino de sete
versus menino de oitenta.
Jogo de botão.

17
Diz o sapo à sapa:
– Coá-coaxá… coará-coaxá…
E ela a ele: – Topo.

18
Um pulo, medalha.
Milhões de cabeças boas
tão longe das loas.

19
Na fila de idosos,
troca-troca de sintomas.
Quem não tem inventa.

20
Flagra na cozinha.
Um par de abelhas aos beijos
sobre o meu pudim.

* * * * * * *

TROVAS

Queridíssimo Chiquinho,
do sol, das aves, das flores…
Beijam-te as mãos com carinho
os teus irmãos trovadores!

*

Quando a piupia lhe abriu,
esfuziante, a janela,
que festa fez o piupiu
na “gaiolinha” da bela!…

*

Prometi-lhe, amada minha,
mil estrelas, as mais belas.
Bobagem…Você sozinha
brilha mais que todas elas!

*

Que rebolado sintático,
o da mestra – ah meus pecados!…
– Ficava o sujeito estático,
mirando-lhe os predicados!

***

Livros:

Capa-do-livro-Robson-1959.-desenho-de-Edgar-Osterroht-1º-livro-impresso-em-Maringá-203x300
Capa do livro “Robson” – 1959 – desenho de Edgar Osterroht – 1º livro impresso em Maringá – PR

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Novo livro:

Vida-Verso-e-Prosa-de-A.-A.-de-Assis-213x300
“Vida, Verso e Prosa” no site da Editora EDUEM: www.eduem.uem.br

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Veja também:

***

Contato:

ANTONIO AUGUSTO DE ASSIS
Rua Arthur Thomas, 259 – Ap.702
Zona 01 – Maringá – PR / CEP: 87013-927

Blog: aadeassis.blogspot.com

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Cadeira nº. 20 – Patrono: Humberto de Campos

Antônio Mário Manicardi nasceu em 28 de maio de 1925, em Itápolis – SP. Chegou em Maringá no dia 22 de setembro de 1952, quando a cidade ainda era distrito de Mandaguari. Foi o primeiro funcionário da Prefeitura de Maringá, registrado em 15 de dezembro de 1952, destacando-se na área de comunicação, uma vez que já era radialista de profissão. Exerceu o cargo de vereador, ocupando uma cadeira no Legislativo Municipal por 12 anos. Foi vice-prefeito de Maringá durante a gestão de Sílvio Magalhães Barros, por 2 anos, e teve a oportunidade de assumir o cargo de prefeito por 28 dias. Hoje é aposentado, membro do Rotary Maringá Aeroporto e assessor parlamentar.

DESPEDIDA DE SOLTEIRO

Adeus, balcão dos botecos
onde eu bebia meus trecos
para as mágoas afogar!
Mas de tanto que eu bebia
todas mágoas que eu sentia
aprenderam a nadar…

*

QUANDO CHEGUEI EM MARINGÁ
– Dia 22 de setembro de 1952 –

Quando aqui desembarquei
te conheci pequenina!
Por você me apaixonei
Com cinco anos, menina.

Fui chegando bem de perto,
olhei no seu rosto lindo!
Naquele momento certo
você me disse: “bem-vindo”.

O nosso amor foi crescendo,
crescendo barbaridade!
E juntos fomos vivendo
sentindo a prosperidade.

Me dê a mão pro futuro,
para o bem desta Cidade!
Garanto que eu te asseguro
Beleza e Tranquilidade.

Achei tudo tão bonito!
Quanta emoção eu senti!
E você era distrito
da Mamãe Mandaguari.

*

TORMENTOS DA NOITE

Tormentos da noite
me deixam nervoso,
meu ser amoroso
me maltrata assim…

Se acaso adormeço
o sono é um lampejo
eu sinto que a vejo
bem junto de mim…

*

ITÁPOLIS

Se eu pudesse
voltar novamente
pra ver minha gente
que longe deixei…
Se eu pudesse
matar a saudade,
rever a cidade
onde eu me criei!

Itápolis,
minha terra querida
desde o adeus da partida
guardo você na lembrança!

Itápolis,
se eu viver ou morrer
você sempre há de ser
berço que embalou
minha infância!

*

DIA DAS MÃES

Se eu pudesse,
meu Deus, ver ainda
a mulher mais linda
que amei com fervor!

Se eu pudesse
beijar com ternura
aquela criatura
que foi meu amor!

*

TROVAS

Maringá do sertanejo,
da viola e do violão,
cidade linda que vejo
nascida de uma canção.

Meu Brasil que eu tanto amo,
pátria que ostenta altivez,
meu País de amor te chamo
porque foi Deus quem te fez!

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Cadeira nº. 16 – Patrono: Euclides da Cunha

Antonio Roberto de Paula é jornalista e escreve crônicas aos domingos no jornal O Diário do Norte do Paraná.

É autor dos livros Da minha janela (2003); A História de um cabo de José, de Maria e de todos os Santos (2004); e Maringânias (2007). Em 2005, dirigiuCrônica democrática de uma cidade brasileira, o primeiro video-documentário político de Maringá. Em 2009, De Paula  lançou o videodocumentário As lentes de Kenji e prepara o lançamento do livro O Eleito.

Salvar como…

Estava te descrevendo
Numa poesia leve
Com graça e humor
Passados alguns minutos
E algumas frases
Você surgiu poderosa
Na tela do computador
E antes que te perdesse
Criei um nome no arquivo
E te salvei como “AMOR”

*

Vivo e belo

Que me vê assim tão vivo
Não sabe o que corre além das veias
Dos músculos, órgãos e massas
Quem me vê assim tão belo e plácido
Não sabe o que está por trás deste sorriso torto
Destes olhos míopes e destas palavras soltas
Quem me olha não me vê
Quem me toca não me sente
Nesta face sorridente
O bem e o mal se dão bem
Para bens, para males
O pensamento é um bicho solto
De possibilidades enormes
A vida é um riso torto
Visto por olhos disformes
Em mim tudo vive, nada é morto
Tudo pulsa, nunca dorme

*

O tempo e o coração

Minha boca já não beija tanto
Meu abraço já não é tão forte
Mãos nervosas e passos inseguros
Solidão agora chega ligeira
Fica num canto
Parceira
O sorriso pálido
O olhar sem brilho
O tempo
Um relógio preguiçoso
Badaladas de dor
Algumas de gozo
O coração maquinal
Nem bem
Nem mal
No vai-e-vem
Da cadeira de balanço
Olho o céu e a terra
A vida sobe e desce
Descanso

*

Verdade pela metade

Na cara do povo
A hipocrisia
Faz exercício
No dia a dia

Com seus tabus
E na uniformidade
Os homens dialogam
meias verdades

A vida real
Embaixo do tapete
E a mentira total
Forte, presente

*

Dentro ou à margem

Vivi e convivi
Fiz amigos
Já os outros
Ah, os outros!!
Nada me informaram
Fiz amores
Ocupei e invadi corações
Perdi um pouco
Ganhei outro tanto
As outras batalhas não contam
Joguei um mundo fora
Conquistei outros
Vivo e ironizo
Choro e rio
A vida é um rio
Eu dentro ou à margem
Deixo marcas e marco
Estou de passagem

*

Aviso

O sino toca
Furando tímpanos
Dos infiéis
E dos fiéis

O sino toca
A vida passa
Com pecado
E com graça

*

Ainda assim

Ainda que fira
Mesmo que marque
Ainda assim fico
Mesmo assim quero

Ferido e aferido
Marca do amor
Agradecido
Pelo prazer
Pela dor

*

Excitação poética em fim de tarde

Senta
Uma perna
Em cima da outra
Graciosa
Estica o braço
Levanta um dedo
Sobe a blusa
O umbigo toma a cena
Cenário lusco-fusco
Ocupando o corpo queimado
Lá se vai a tarde
Refrigerante na metade
Vai-e-vem dos quadris
Olhos pra frente
Arrogância instalada
Transpondo a porta
Ganhando a rua
Nada mais é preciso
Fim do dia
Outra cerveja
E a certeza
De que ela virou poesia

***

Contato:

ANTONIO ROBERTO DE PAULA
E-mail: imprensadepaula@gmail.com / www.antoniorobertodepaula.com

Cadeira nº. 15 – Patrono: Fagundes Varela

Assistente social. Foi vereadora, fundadora e presidente do Lar Betânia por 29 anos. Nasceu em São Sebastião do Paraíso – MG, no dia 16 de julho de 1937. Autora de Vida que ensina viver; Estrelas do meu chão; Estrelas do meu caminho; Flores que cultivei; Estréia; Pérolas da alma e Mosaico de ternuras.

Minha herança

Deixo a minha gratidão a quantos passaram pelo meu caminho, que de alguma forma me ajudaram a conquistar um alvo e me deram felicidade.

Deixo a tristeza das vezes em que me omiti, dos erros cometidos, da paciência que não tive, das carências não percebidas, das alegrias que não consegui sentir e das pessoas que feri.

Deixo todas as lágrimas de emoção, que derramei por pessoas amadas, por muitos que apenas conheci superficialmente e pelos que me caluniaram, pois as lágrimas vertidas, de alegria ou tristeza, me aliviaram, massageando meu coração.

Deixo a minha fé, pois por ela aceitei Jesus, que me transformou, podendo dizer com convicção: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho Unigênito, para que todo que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Pela fé fiz muitas obras e conquistei muita coisa.

Deixo todos os meus sonhos, alguns realizados, outros abortados, mas foram sonhos que me inspiraram e me deram determinação para servir.

Deixo todas as emoções sentidas nos olhos daqueles que estiveram no meu chão, por haver participado das suas conquistas e fracassos, por sentir seus olhares apaixonados, ou tristonhos, ou felizes.

Deixo a frustração dos caminhos que não percorri, dos rios e mares em que não me banhei, dos morros que não subi, dos corpos que não abracei, dos beijos não recebidos, dos pores-de-sol que não contemplei, da chuva em que não me molhei, das estrelas que não fitei, de não ter vivido tão intensamente.

Deixo a esperança de que a vida não termine com a morte, e de que teremos uma vida eterna, onde encontraremos nossos queridos que foram antes de nós para a casa do nosso Pai. A esperança de ser perdoada pelos erros que não soube evitar, a esperança de ter cumprido minha missão nesta terra, a esperança de ser compreendida e pelo menos um pouco amada.

Deixo a certeza de que valeu a pena viver. Aprendi muito e tentei também ensinar. Valeu a pena a certeza dos caminhos que abri, do pouco que edifiquei, dos exemplos que transmiti, da honestidade que pratiquei, dos valores que mostrei.

Deixo a ternura que senti no peito, e que muitas vezes foi profunda, diante das criancinhas carentes, de doentes em estado terminal, de jovens envolvidos pelos vícios, de idosos abandonados, dos perseguidos por ódios e preconceitos.

Deixo a piedade por aqueles que sofrem a dor do corpo ou da alma, pelos pobres de conhecimento intelectual e espiritual.

Deixo a liberdade que nos permite escolher, embora muitas vezes errando; que nos permite sonhar e voar como grandes pássaros; liberdade que me fez ver até o impossível e, fazendo dele o possível, me permitiu criar fantasias e transformá-las em ação.

Deixo o amor. Aprendi que ser amada não é nada, enquanto o amor é tudo. A felicidade é o amor. Feliz é quem sabe amar muito. O amor quer somente amar. O amor nada cobra, o amor ilumina. O amor permanecerá quando nada mais houver.

Deixo o meu envelhecimento, pois, quanto mais envelheço, mais procuro as pequenas satisfações da vida. Mais claro me fica que o dinheiro não é nada. Vi tanta gente endinheirada e que mesmo assim era infeliz. A beleza não é nada. Vi tantos homens e mulheres belos, mas infelizes, apesar de sua beleza. Até a saúde não conta tanto. Vi doentes cheios de vontade de viver e sadios definhando pelo medo de sofrer, e até se suicidando. Quanto mais envelheço, mais as pequenas satisfações se tornam importantes e sinto a vida mais bela.

Deixo o meu otimismo. Que um dia este mundo seja civilizado, livre, sadio, honesto e equilibrado. Que como a abelha os homens busquem a pureza, a luz, as cores, o trabalho, o perfume, a doçura.

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Contato:

ARLENE DE LIMA
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Cadeira nº. 35 – Patrono: Raimundo Correia

Bettinardi nasceu em Capinzal, Estado de Santa Catarina, em 5 de março de 1928. Na cidade de origem, cursou cinco anos do primário e dois anos do curso complementar. Em Joaçaba – SC, no colégio Frei Rogério, dos irmãos Maristas, cursou o ginásio. Curso Clássico no Colégio Novo Ateneu, em Curitiba/PR Iniciou três cursos universitários, que abandonou por impossibilidade de cumprir a freqüência obrigatória. Participou das três Coletâneas dos Poetas de Maringá (1966, 1997 e 2007) e das Coletâneas da ALM.

Publicou: Angústias (poesias, 1962), SSS – Silêncio, Solidão, Saudade (poesias, 1982), Cidade Verde (crônicas, 1994), Contos do Manduca (1997), Meus três espectros (poesias, 2003), e Saudades sem fim (poesias, 2007).

MENSAGEM

Descubre dentro de ti a caridade. Com ela encontrarás toda a beleza da vida: a luminosidade do sol, o gorjeio dos pássaros, o sussurro do vento, o murmúrio dos riachos, o colorido e o perfume da primavera.

Caridade é o amor na mais pura essência.

Hoje e todos os dias abre teu coração, pratica a caridade e sê verdadeiramente feliz.

*

MEUS SONHOS
(inspirado em Raimundo Correia)

Amanhece…
A revoada dos meus sonhos recomeça;
Um após outro, batem asas e partem;
Vão em busca do infinito….

Voltarão? …
Quem sabe, sim; talvez, jamais! …

Uma certeza eu tenho:
No fim do dia,
Eu vou sorrir e também chorar;
Pois os meus sonhos fiéis estarão de volta;
E, tantos outros, não voltarão jamais.

*

AFINAL

Falemos de nós,
Dos seus anseios
E dos meus anseios.

Vontade de ser feliz,
Necessidade de fazer
Alguém feliz.

Eu e você: dois desejos
Talvez iguais,
Duas vontades

Nada mais;
Quem sabe, seja assim
Até o fim, afinal.

*

DE BEM COM A VIDA

Por força do meu destino
Que sempre foi caprichoso
Sou outra vez um menino
Feliz, alegre, jocoso.

Escuto tocar o sino
De um dia radioso
É um convite divino
Para folguedo e gozo.

Eu nunca mais serei triste;
Pois, em mim ainda existe
Aquele jovem que diz:

Melhor é sorrir pra vida
E ter cabeça erguida
De eterno aprendiz.

*

Caminhando

Por que o sol,
a praça,
o burburinho da cidade
estão aqui?

Por que: a luz
o dia aberto diante de mim,
o convite à vida,
se eu estou sozinho?

Sem você, o momento
passa como o vento,
sem consumação,
naturalmente, inutilmente.

Não entendo momento,
só momento, sem ação,
sem movimento,
sem nós dois
que juntos somos vida.

Só aceito momento,
que não seja fugaz nem
efêmero;
– que seja total completamente.

Então, seremos nós
eu e você,
caminhando juntos,
de mãos dadas
rasgando a luz da tarde;
rumo ao crepúsculo.

Agora, o dia ainda está todo
aberto diante de nós;
e, é um convite à vida.

Vamos pois, inebriados
beber a vida, gota a gota
até o fim, enquanto,
juntos caminhamos.

* * * * * * *

Criança é natureza
Isenta de todo o mal,
A mais perfeita beleza,
Espontânea, natural.

Se não existe um jeito
De esquecer-te, saudade,
Vais conviver no meu leito
Com a minha soledade.

*******

Você

Você… sempre você,
ocasião, motivo e razão
do meu viver.

Você é tudo para mim,
a luz, o som, o princípio e o fim.

A melodia da tarde,
minha eterna canção,
o sol, a sombra,
tudo o que me cerca
é você.

A razão, não sei porque;
talvez tudo o que passou,
tudo o que virá,
a vida, enfim,
será para mim:
você!

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Cadeira nº. 22 – Patrono: Pe. José de Anchieta

Sacerdote católico, o Cônego Benedito Vieira Telles também é advogado e professor universitário. Nasceu em Bueno Brandão – MG, no dia 04 de novembro de 1928. Primeiro Padre ordenado na (e para a) Arquidiocese de Maringá – PR. Decano dos Cônegos da Arquidiocese de Maringá. Professor Emérito de Direito na Universidade Estadual de Maringá – UEM. Autor de Meus Natais (esgotado) e outros.

Feliz Natal!

Reclinada, Maria beija o Infante…
São José, varão justo, meditava.
O zéfiro nevado os tiritava…
nascia a Nova Aurora fulgurante!

Aurora de Natal! Alva a pastagem,
neve em manjedoura em azuis cristais,
e, em Belém, nasce o Rei, Sol dos Natais,
e os Reis Magos vão para a vassalagem!

A grande Luz nas plagas de Belém
veio do céu morar no mundo inteiro,
confundir sábios de Jerusalém!

Noite Santa de Luz! Noite de sol
no ar, na terra, no mar… quanta alegria
nos rios, nas montanhas, no arrebol!

*

Vou, agora, pro Natal
Maringá, Natal 2008

Vou-me, agora, pro Natal,
porque há Belém entre os meus.
E, lá, Jesus nascerá
nos rincões dos galileus.

Vou-me, agora, pro Natal,
seguirei a estrela azul,
ouvindo lindo coral,
sob o Cruzeiro do Sul.

Vou-me, agora, pro Natal,
onde nasceu meu Irmão.
Lá, na Corte Angelical
estará meu coração.

Vou-me, agora, pro Natal,
ouvir estrelas, a lua,
a cigarra tropical,
que zine, zune na rua.

Vou-me, agora, pro Natal,
ao Presépio de Belém.
Vou à Família Real
abraçar Jesus também.

*

Ano Novo

O Cruzeiro do Sul cintila a mil,
despertara as estrelas, novo dia.
No azul negro dos céus há sinfonia
ao Feliz Ano Novo no Brasil.

Maringá vê dois mil e oito chegar
envolto em papel verde de presente.
Queira a bênção de Deus onipotente
levar a humanidade a se abraçar.

Neste ano o rosto humano de Deus Pai,
é o rosto divino do homem frágil,
pois n`Nele somos filhos de Adonai.

Cristo nos fez família por Maria,
nos esculpirá um rosto divino
para o Feliz Novo Ano de alegria!

*

Homenagens às Mães
Maringá, 13 de maio de 2007

Mamãe, divina poetisa,
dona Conceição, Maria,
eterna sacerdotisa,
um altar, minha poesia!

Mãe, a terra está florida,
filhos te cobrem de amor.
Nossa luz, deu-nos a vida,
é no jardim bela flor!

Mãe, anjo que Deus me deu,
bússola do grande mar,
deu-nos muito do que é teu,
mar onde vou navegar!

Mãe, é perfume das flores,
mais encanto que o da rosa,
e por mim tiveste dores…
querida mãe dadivosa!

Todo brilho das estrelas
cintila sobre Maria,
eu quero todas colhê-las,
coroar-te neste dia!

Mamãe, hoje é o teu dia
de homenagens e ternura.
Mãe, nome azul, melodia,
mãe, divinal criatura!

*

Mãe
Maringá, 10 de maio de 2009

Mãe, primeira cátedra do amor,
terra vermelha da cidadania,
solo fecundo contra a vilania,
plasmadora do filho, ave-condor!

Primeira educadora, que heroína,
aplaude o nascer de seu novo sol,
que pulsará em seu seio o arrebol
semente humana com seiva divina!

Mãe, árvore frondosa que agasalha,
fortaleza dos filhos, anjo de Deus,
candeeiro de luzes, que fornalha!

Mães de todas as raças do Universo,
recebam nossa terna gratidão
pontuada em melodia em cada verso!

*

Mãe
Maringá, 11 de maio de 2008

Dia das Mães, de alegria,
é festa das juritis.
Rezo às Mães a Ave Maria,
ao piarem bem-te-vis.

Mãe, primeira educadora,
rainha de nossa vida.
Linda mestra, sedutora,
nosso refúgio, guarida!

Mãe, árvore frondosa,
teus lindos filhos plasmou.
Meu abrigo, dadivosa,
com grande amor me educou.

Mãe, a flor que vou colher
no bosque da gratidão,
minha flor do amanhecer,
nascida em meu coração.

Mãe, estrela da manhã,
aurora do novo dia,
jovem ainda, anciã,
mamãe, terna simpatia!

Mãe, altar-mor de oferendas,
hóstia oferente à família.
É vela azul nas contendas,
um cálice de partilha!

Mamãe, não posso beijá-la,
embarga-me a voz meu pranto
de ti saudade me cala,
um Anjo, divino encanto!

Mãe, síntese do Universo,
o fecho do Criador.
É poema em cada verso!…
Parabéns, eterno amor!

Cadeira nº. 17 – Patrono: Gonçalves Dias

Aparecida Silva Herrera é natural de Presidente Prudente – SP. Exerceu função docente e administrativa nos municípios de Jussara, Cruzeiro do Oeste e Umuarama. Membro da AULA – Academia Umuaramense de Letras e Artes até 2012, quando passou a integrar a ALM – Academia de Letras de Maringá. É graduada em Letras e Pedagogia pela FAFIMAN, e em Direito pela UNIPAR de Umuarama. Mestre em Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Materna pela UEM (Maringá – PR) e Especialista em Metodologia de Produção de Texto pela UNIPAR de Umuarama, onde lecionou Língua Portuguesa e Direito Penal, até transferir residência para Maringá.

TÃO DEPRESSA!

Os filhos crescem.
E nós queremos que os filhos cresçam!
Quando agarrados às nossas saias,
pequenos, inseguros, dependentes,
esperamos ansiosos que eles cresçam
e sonhamos com belos rapazes e moças
vestindo-se sozinhos,
arrumando suas estantes,
guardando seus pertences,
preparando seus lanches,
fazendo tudo sozinhos
e naturalmente
preenchendo com risos e vozes
o espaço da nossa casa.

Mas não pensamos
que o tempo passa tão depressa,
e que as crianças crescem tão depressa
e que se tornam adultos tão depressa
e que constroem seus caminhos tão depressa
e que nos deixam sozinhos tão depressa…

***

E-mail: silverrera@hotmail.com

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Cadeira nº. 18 – Patrono: Graciliano Ramos

Darcy Berbert de Andrade é professora e artista plástica.

Livros publicados: Uma lágrima e uma Saudade; O Enigma da Palavra; Um Amor em Tempos de Trevas (romance fictício relatando fatos da inquisição); Coletânea com contos e crônicas, sendo alguns premiados; Documentários sobre sua família, entregues nas cidades de Japurá – PR, Maringá – PR, Jetulina – SP e Friburgo – RJ; e Inquisição e Transparência (relatos de fatos verídicos da inquisição). Prêmio Master de Literatura em 1986, com o conto Um Grande Amor (época colonial). Participação no Movimento Literário Brasileiro em Antologias de poetas e escritores brasileiros. Vários destaques especiais na poesia e na prosa. Condecorada pela Revista Brasília, do Rio de Janeiro. Medalhas e troféus em sua vida literária.

AMAZÔNIA

Amazônia: Mulher aguerrida, de ânimo forte e varonil; mulher que monta a cavalo e tem gestos nobres, olhar humilde, semblante desconfiado, nos verdes da floresta. Cavalga… Cavalga!… Arrepia e treme. Sabe das coisas encobertas e o risco que corre a nossa Amazônia.

Amazônia é um rico paraíso, “berço esplendido”, orgulho de todas as nações. Gaspar de Carvajal, Frei Espanhol, é o homem que batizou esta terra querida de Amazônia.

Amazonas, que encanta com seus rios caudalosos, paraíso de pássaros e animais. Os pássaros que cantam e encantam esta rica floresta. Amazônia de mulheres lindas e de traços de índio, negro e branco, pele de cobre, que encanta.

Mas o que estão fazendo com a nossa Amazônia de tantas riquezas? Parece que os brasileiros estão adormecidos, somente acordam quando já foram roubados. Interessante!… Não perceber ou fazer de conta que não está acontecendo nada com a gente; olhar distraído e distante, e depois se manda. Não viu nada, não sabe nada, e não quer saber!… Parece ferida brava que não tem cura, acostuma!… Parece estar no Brasil Colonial; faz que não vê e deixa acontecer e fica parado no tempo. Depois que o ladrão entra, não tem mais jeito.

É popular esse vocabulário: e o que me importa, vou morrer mesmo, quero aproveitar enquanto estou vivo este paraíso, vender madeira e colocar dinheiro no bolso enquanto é tempo. O brasileiro não acredita e não quer acreditar o que pode acontecer no futuro com nossas gerações. Amazonas sem água, deserto seco e sem aves; peixes, animais de grande e pequeno porte e até o próprio homem que não conseguirá viver com tantas calamidades.

Os estrangeiros estão de olhos abertos e muito espertos em relação às riquezas: as ONGS estão lá dentro para enganar os já enganados. Posso até errar: pode existir ONGS de boas intenções, e essas me perdoem pelo meu radicalismo. Existem os bons e os ruins. Imensas áreas amazônicas estão em mãos dos próprios brasileiros, e eles mesmos é que praticam essas vendas. Gente do governo está lá dentro, é só pesquisar que vão encontrar. Desta maneira, homens sérios e de brilho vão se arrepiar dos desastres que causam as pessoas de má índole. Estão fazendo com a Amazônia o mesmo que fizeram com o nosso ouro, prata, diamante, esmeralda, outros minerais e a nossa botânica. Vão secar todas as artérias que percorrem os caminhos da Amazônia. Lastimável é nossos políticos não se importarem com os cortes das veias de nossa terra, que é como o coração bombando sangue para todo o corpo. Não conseguindo forças para regar as artérias, morre. Os povos de outras terras vão chorar ou dar gargalhadas pela incompetência de nosso poder maior, que não deixa florir nossas riquezas, não se importando com o futuro de nosso povo. São homens drogas; iguais aos traficantes que não fazem caso de nossa pátria e família. Pais e mães chorando pela perdição dos filhos e traficantes sorrindo com milhares de dólares no bolso.

Assim acontece com a nossa Amazônia. Brasil sem Amazonas é terra sem dono, sem abundância das águas, plantas medicinais e nutritivas e de tantos valores que causam inveja em outros países da face da terra. Preservar o meio ambiente com suas florestas, águas, pássaros e animais é necessidade vital e de responsabilidade de governos, homens, mulheres, crianças, escolas, rede de comunicação, universidades, associações e Ongs com os mesmos objetivos: tratar dos povos que estão lá, que convivem com a floresta e não contra a floresta (índios e os ribeirinhos).

Até dou uma sugestão: que mal há em se ter um governante indígena? Não há mal nenhum!… A Amazônia é muito grande, e por que não fazem mais estados que possam ser governados pelos próprios índios, que tão bem conhecem a natureza? Futuramente haverá brigas com outras nações por causa de água, comida e espaço!…

Margaret Mee contemplou a beleza da Amazônia, fotografando e pintando em telas as maravilhas desta terra, viajando pelos rios, conversando com índios e ribeirinhos. O francês Jacques Cousteau, morto em 1997, conheceu de perto esta maravilhosa floresta, enfeitada pela fauna, flora e por animais ameaçados de extinção. Amazônia é um paraíso para biólogos, ecologistas e turistas.

Acorda, Brasil, antes que nos deixem cegos, e o pior cego é aquele que não quer ver e brinca de esconde-esconde!… Temos água em imensidão nas profundezas da terra, mas ela pode escassear e até acabar!… Tantas nações sem esta benção divina de nosso grandioso Deus…

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Cadeira nº. 07 – Patrono: Casimiro de Abreu

Dari Pereira nasceu em São Simão – São Paulo, em 22 de janeiro de 1940, filho de João Pereira e Nilda Gasparini Pereira. Técnico em Contabilidade e Professor. Graduou-se pela Universidade Estadual de Maringá. Pertence à União Brasileira de Trovadores – UBT. É poeta e já publicou quinze livros. O mais recente trabalho de sua autoria é um CD de poemas inéditos Carta a Jesus.

TROVAS

Poeta não faz escolha,
desafia qualquer tema,
desdobra folha por folha
e compõe o seu poema.

*
Contendo idéia completa
e pregando o bem geral,
um só verso de um poeta
pode torná-lo imortal.

*

Quem quiser boa acolhida
pela graça do perdão,
não pode negar, na vida,
um abraço para o irmão.

*

Descortinar horizontes,
buscar a estrada florida,
cruzar os vales e os montes,
eis a viagem da vida…

*

Quem é de Deus não padece
no caminho dos ateus…
e a cada dia, na prece,
tem novo encontro com Deus.

***

DISTANTE

Distante da minha terra,
longe de tudo o que amo,
eu sou um vate que erra,
sinto saudade e reclamo…

Aqui, tão triste e sozinho,
distante do berço amado,
sinto a falta de carinho
e meu viver é magoado.

Distante dos meus amigos,
da festiva serenata,
já não encontro os abrigos
que a noite na alma desata.

Lá na terra pura e santa,
é tão lindo o fim do dia,
na hora em que o sino canta
as preces da Ave-Maria…

A serra, os rios e o vale,
o verde lá da campanha,
temem que um dia se cale
o canto na terra estranha.

Toda carta que eu recebo
só me fala do regresso
e em cada linha, percebo
que nada vale o sucesso.

Se aqui distante, reclamo,
eu deixo tudo, por fim:
– Longe das coisas que amo,
estou distante de mim.

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Cadeira nº. 38 – Patrono: Tomás Antônio Gonzaga

Professora de Língua Portuguesa e Inglesa e respectivas Literaturas com especialização em Língua Portuguesa. Nasceu em Itajobi – SP, no dia 10 de dezembro de 1947. Pertenceu à União dos Escritores de Maringá – UEMA. Participou da Coletânea de Poetas de Maringá II, de todas as Coletâneas da Academia de Letras de Maringá e do livro: Maringá – Um olhar feminino em cores e versos. É autora do livro: Photo – grafando o amor.

Luzes

A cidade dorme
e do alto do meu edifício
observo o silêncio escorrer pelas ruas
e se perder no lusco-fusco de luzes
que rompe a escuridão.

Também a luz do seu olhar
se projeta no espaço
e como um facho de estrelas
ilumina as trevas
que anoitecem meu coração.

*

PRESENTE

Eu aceito você
como a ordem natural da vida;
como um rio imutável
cumpre o seu destino;
como a árvore fixa há séculos
vive o drama das pessoas,
mas continua impassível;
como a certeza de um dia
ensolarado ou chuvoso
pouco importa, pois
o dia é sempre presente,
e presente de Deus.

*

TODA VEZ QUE É NATAL

Toda vez que é Natal
meu coração tinge-se
de vermelho, verde,
prata, dourado,
numa profusão de cores
que alegram tua festa, Senhor.

Toda vez que é Natal
as luzes das janelas,
das casas, dos edifícios,
transformam minha cidade
numa grande árvore natalina
para te bendizer, Senhor.

Toda vez que é Natal
quisera ser o bálsamo
para curar o enfermo,
o alimento para saciar o faminto,
a alegria para curar as tristezas,
a mão que se estende solidária, Senhor.

Toda vez que é Natal
quisera que a minha poesia,
ainda que tardia,
fosse um hino de louvor
derrubando muro, fronteiras,
no coração dos homens, Senhor.

Toda vez que é Natal
sinto-me criança ainda,
por acreditar em Papai Noel,
em milagres de amor
que possam transformar nosso Planeta
no Paraíso que nos deixaste, Senhor.

*

VENHA

Venha,
sinta a brisa suave da manhã
num misto de aromas agrestes
com sabor de hortelã.

Venha,
contemple o brilho das estrelas
nas fagulhas douradas
que abrasam meu olhar.

Venha,
observe as arquiteturas arrojadas
de concreto e metal da cidade
que argamassam o nosso amor.

Venha,
veja o tapete azul e verde
e o manto de estrelas
com que Deus nos presenteou.

***

Contato:

FLORISBELA MARGONAR DURANTE
E-mail: beladurante@hotmail.com

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Cadeira nº. 09 – Patrona: Cecília Meirelles

Hulda Ramos Gabriel é jornalista, compositora e produtora rural. Nasceu em Campo Mourão – PR, no dia 19 de abril de 1947.

Autora de Rumo ao Sul: histórias vividas no Norte e Noroeste do Paraná eSuplício da Saudade. Compôs letra e música do Hino de São Jorge do Ivaí – Paraná.

O encontro do homem com Deus

Na capela do Albergue Santa Luzia de Marilac, o homem encontra seu Criador. Como no deserto, um altar de pedras é erguido pelo profeta Moisés para adorar a Deus, para que o povo que ele conduzia em busca da “nova terra” pudesse adorá-lo.

Uma casa de oração erguida na extensão do abrigo acolhedor tem a mesma simbologia espiritual. Um trabalhado em pedras simples e muito lindas ornamenta o altar do Senhor. No local são encontrados os quatro elementos da natureza: terra, ar, água e fogo. Obra do Criador, para compor seu jardim na terra, a terra é representada nas pedras lapidadas e brilhosas, que, sobrepostas pelas mãos de homens compõe o piso subindo até o altar, ponto mais sagrado, erguido com mármore, enquanto o granito reveste todo o restante do espaço e também está nos vasos de plantas que ornamentam a casa do Senhor; o ar enche o recinto com o frescor do interior da capela; a água, nas gotas que caíram dos vasos de flores ao serem regadas, pois Jesus disse que Ele é a água da vida, e quem dela beber não terá mais sede, sede de espírito e de vida; e o fogo da vela acesa que representa Jesus naquele momento, pois Ele mesmo afirmou, de acordo com a Escritura Sagrada: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará em trevas”. A terra, a água, o ar e o fogo constituem a vida do homem mantida pelo amor de Deus, homem que é sua criatura em imagem e semelhança.

As paredes do recinto, de pedras irregulares caiadas de branco, representam a paz do ambiente em contraste com o teto modulado em gesso ricamente trabalhado, no qual se reflete um arco-íris amarelo verde e azul, o qual se junta ao vermelho da luz simbólica da vigília espiritual da Arca da Comunhão, reservada ao alimento do espírito dos fiéis que vêm expor seus pecados e receber a graça das mãos divinas do Pai. Jesus, retratado no mural da entrada, vigia dia e noite, em posição de oração ao Pai, em constante súplica pela misericórdia às criaturas que foram adotadas como filhos na remissão dos pecados por Ele, na cruz.

A cruz de pedra representa a de madeira de outrora, instrumento de tortura por meio da qual Cristo morto trouxe a salvação à humanidade. A cruz ali é representada para constante lembrança da condição do homem pecador, mas remido.

Os vitrais que ladeiam o altar deixam entrar a luz do Sol, astro maior que aquece a terra, dá vida às plantas, animais e aquece também o coração dos homens, para que amem uns aos outros como Cristo ensinou.

A coluna de mármore no lado direito do altar sustenta a Arca da Comunhão, iluminada dia e noite para que os homens entendam que a luz divina não se apaga, para que quem está nas trevas veja a luz que veio trazer a salvação e o caminho da paz.

A luz do Sol que aquece a terra dá vida às plantas e animais e ainda aquece o coração dos homens para que amem uns aos outros, como Cristo ensinou.

As esquadrias dos vitrais que compõem portas e janelas um dia foram pedras, e agora estão transformadas em ferro, para proteger e embelezar a casa do Senhor, local sagrado onde os homens vêm para estar em comunhão com Deus e com os irmãos.

Apenas cinco fileiras de bancos de madeira existem diante do altar, coberto com toalha de renda branca, e um castiçal ampara a chama simbólica do amor de Deus para com a humanidade, que se intercala com o arco-íris que vem do teto apontando o poder da tecnologia dos homens.

E o público, qual é?

Aos pouco as portas se abrem, ascendem-se as luzes, e eis que começam a entrar pessoas diferentes, à margem da sociedade, sem teto, sem emprego, doentes e moradores de rua. Se alguém olhar atentamente esses semblantes, verá que estão carregados de histórias tristes para contar. Cabelos em desalinho, dentes disformes, com falhas, sem nenhuma estética, olhos meio apagados, sem esperanças. Trazem nas faces a marca do tempo. Nelas transparece a necessidade de recursos para cuidar da saúde precária, como passarinhos migradores que procuram um galho seguro para pousar e descansar. Mãos mal cuidadas, de peles trincadas, queimadas pela ação do Sol e dos ventos, unhas sem aparar, escuras pela fuligem da terra, trêmulas, ansiosas. Corpo “sem eira nem beira”, que parece flutuar no universo de cada sonho não concretizado, sem acreditar que as coisas um dia podem melhorar…

Pés ligeiros ou mansos, pisam com respeito porque o lugar é santo, e estão diante da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. O primeiro da fila, manquitola apoiado em muletas, atira seu bornal no banco da frente para conseguir se apoiar no encosto do banco e sentar. Coloca as muletas no chão, e apoiado somente numa perna porque a outra foi perdida, está na sua história particular. O que chama mais a atenção é que desde a sua entrada na capela até conseguir ajeitar-se não cessou por nenhum momento de expressar um largo sorriso nos lábios, contrastando com sua situação de desamparado. Com um gesto lento tira do bolso um rosário e exibe para os demais que estão sentados, próximos a ele, como se a sua riqueza estivesse no pequeno círculo de contas, arrematado com uma pequenina cruz. Cada companheiro de infortúnio deixa transparecer o semblante de abandono. Um homem de estilo franzino, perdido dentro da roupa larga, revela o estado de viajante sem rumo, quase terminal, sem voz. Fazendo grande esforço, solta um gemido, erguendo a cabeça para o alto, em direção à cruz de pedra. Fixa seu olhar, e é como se lembrasse a cruz original de madeira respingada de sangue, de onde retiraram Jesus morto pelo pecado de todos que ali estão e também da humanidade. Com os olhos ainda fixados naquela direção, demonstra alivio. Sua busca não foi em vão: ele encontra seu verdadeiro amigo presente no pequeno templo. Se os olhos humanos não podem vê-lo, o coração sente Sua presença dando paz. E, além disso, está representado no vitral da entrada, ajoelhado em sentido de oração.

Com esse peregrino, mais oito ou dez pessoas estão diante do altar buscando a presença de Deus. São desengonçados e tortos, não importa. Estão diante do Altíssimo e eles sabem que Jesus é o verdadeiro amigo em quem podem confiar.

E onde estão os outros 20 companheiros que, juntos, cearam no refeitório naquele dia? Ficaram do lado de fora, não quiseram ainda encontrar Jesus Cristo naquele dia. Será que teriam nova oportunidade de encontrá-lo?

***

Contato:

HULDA RAMOS GABRIEL
E-mail: huldag@bol.com.br

Cadeira nº. 36 – Patrono: Raul Pompéia

Ivana Martins nasceu em Jacarezinho – Estado do Paraná, mas considera-se maringaense de coração. Iniciou sua carreira como escritora com apenas 18 anos de idade, quando publicou seu primeiro livro Sentimentos e Ilusões, lançado em Curitiba, em 1987. Aos 28 anos entrava para a ALM, com muita alegria e dedicação.

Formada em Comunicação Social pela Faculdades Maringá, é especialista em Marketing pelo Instituto Paranaense de Ensino, com seu artigo “Marketing Emocional e a Relação de Consumo”, mostrando a influência das emoções no comportamento do consumidor. Realizou palestras em diversas instituições de ensino sobre o mesmo tema. Foi professora de fotografia no Curso de Publicidade e Propaganda, onde realizou um trabalho voltado para a importância de se observar as diferenças sociais, com ênfase na arte com que as pessoas vivem em meio aos seus contrastes.

Trabalhou em jornais, revistas e emissoras de televisão, sempre dedicando grande parte de seu tempo ao segmento da educação. Escreveu e publicou inúmeros artigos, reportagens e peças teatrais, que até hoje são lembradas pelo público. Recentemente recebeu homenagem do Colégio Marista pelos 10 anos de fundação do Teatro da Educação Infantil, por ter sido autora da primeira peça ali encenada, Uma visita ao Sítio do Pica Pau Amarelo, com roteiro baseado na obra de Monteiro Lobato. Passou um período na Europa, onde se dedicou à fotografia e à arte de escrever. Atualmente trabalha como fotógrafa e produtora no setor de eventos, e realiza trabalhos de assessoria de Marketing e Comunicação em seu próprio estúdio. Uma frase que definiria sua vida: “Persistência é o caminho do sucesso, mesmo que ele seja quase uma utopia”.

Livros: Sentimentos e Ilusões (1987), Versos Incógnitos (1991). Peças Teatrais:Uma Visita ao Sítio do Pica Pau Amarelo; O Pequeno Príncipe e o Natal no Mundo do Faz de Conta; O Quarto de Brinquedos; e O Mistério de Ning.

O ÚLTIMO DIA

Talvez o último dia seja melhor do que o primeiro,
Somente por conter tudo aquilo que nos falta…
A palavra que nunca foi dita; o abraço que foi esperado,
O sorriso que se leva na lembrança para a eternidade…

Por isso, certamente o último seja melhor que o primeiro.
Assim é a vida, com o amor, com a alegria, com a dor.
Tudo que se cala se esquece, morre em nosso coração,
Transformam-se em lembranças, saudades, lágrimas …
E tudo, o tempo mesmo se encarregará
de que quando chegar ao fim seja melhor do que o começo…

Esse é talvez, o segredo de viver o hoje, pois daqui a pouco
Seus últimos minutos serão somente os primeiros de um novo amanhecer…
Diga o que você tem a dizer, como se não houvesse amanhã,
Cante, sonhe, pinte, faça amor de verdade, coma tudo o que tiver vontade,
Porque o encanto da vida é viver do presente e não da saudade…

***

Sobrevivo

Graças aos seus conhecimentos, a sua dedicação e ao conforto de receber cuidados especiais, nas horas mais incertas…

Vejo que muitas vezes, você observa minha dor como um anjo, que cuida atentamente de sua criança preferida,

Que com apenas algumas gotas ou um pouco de atenção, você já torna minha cruz menos pesada…

Que bom que novamente posso ver seu rosto entrar no silêncio do meu quarto, e saber que sobrevivi mais um dia…

Já não está tão difícil encarar tantas mudanças, tantas dores, tantos exames, tantas medicações…

Parece que nosso querido mestre, quando inventou as doenças, já preparou pessoas que saberiam muito bem cuidar de quem precisa de um alívio na hora da dor, um sorriso em lugar de lágrimas, uma presença amiga na hora da solidão e até mesmo alguém para fechar seus olhos na hora de entramos para a eternidade…

E pode acreditar meu (minha) querido (a), se você está lendo estas palavras é porque Deus lhe deu um dom especial de cuidar daqueles que precisam de ajuda, de zelar pela vida até o último segundo, de tentar, sem parar, preservar o maior de todos os dons, “a vida”.

O amor, que é capaz de ressuscitar, a esperança, que nos fortalece a alma, e mostra-nos a eternidade da vida.

Obrigada, amigo (a) por suas mãos que curaram minhas chagas, que seguraram meus aparelhos, que lutam para novamente me ver sorrindo.

Que Deus ilumine seu caminho, que a missão de cuidar seja tão sagrada quanto a cura, tão forte quanto a rocha e tão sensível como o primeiro raio de sol, que nos traz o encanto de um novo amanhecer…

Um brinde à vida, pois somente ela é capaz de recompensar seu sacrifício.

Que bom que além de bons médicos a vida nos oferece grandes enfermeiros…

***

Contato:

IVANA MARTINS
Telefones: (44) 3305-0020 / 9953-0020
E-mail: ivanamartins@hotmail.com

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Cadeira nº. 06 – Patrono: Carlos Drummond de Andrade

O professor Jaime Vieira nasceu em Marília – SP, no dia 01 de maio de 1951. Autor dos livros de poesias Desencontros; Ecos e gritos; Reencontro; Outonos;Reencanto; Asas e Contra-espelho.

exercício

o ato de criar
são teimosas ilusões
nos versos que criamos

doce atitude humana
abrindo gavetas
libertando sonhos

*

curvatura

As estrelas se derramam no céu
mesmo quando, sob o peso dos anos,
não se olha mais para cima,
em busca de uma ilusão…

Envelhecidos os olhos,
a limitação humana
com as costas encurvadas
procura em poças d´água
o brilho das estrelas
refletidas no chão…

*

pretensão

tenho inventado estrelas
tola vontade – no papel
de brilhar o impossível

*

anoitecer

não houve tempestade
houve a tarde
o dia – o ocaso
dourando a cidade

não houve descaso
permaneceu a procura
do sol e a lua
e a noite foi justa
justamente por acaso

*

quem me dera

este azul do céu
ainda me envolve,
este sol tecendo
a tarde me comove.

outra noite lá fora,
quem me dera
devolver estrelas
à escuridão do agora!

*

Sonhos

sonhamos juntos
impossivelmente, nós
que pena: somente um sonho
substitui outro sonho.

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Cadeira nº. 01 – Patrono: Adelmar Tavares

Jeanette Monteiro De Cnop nasceu em Itaperuna – estado do Rio de Janeiro. Está radicada em Maringá, para onde veio a primeira vez, em 1970, participar do II Festival Brasileiro de Trovadores. É paranaense de coração desde 1973.

Lecionou Língua Portuguesa no Departamento de Letras da UEM, de 1987 a 2002, quando se aposentou como doutora, na área de Psicolingüística.

Atuou em pesquisas nas áreas de Linguagem e de Psicologia, e em projetos de extensão e de ensino. Tem ministrado cursos de capacitação para professores do ensino fundamental e médio, e tem lecionado em cursos de Especialização.

Participou de várias antologias poéticas. Publicou, em 2004, o livro Tecelã de Textos – vivências de uma professora de Língua Portuguesa, com segunda tiragem em 2005.

Ocupa o cargo de vice-presidente da ALM desde 2001.

Um almoço em Maringá

Não faz muito tempo Maringá, no norte do Paraná, era uma cidade de porte médio, com as vantagens de uma cidade grande mas com a vida tranqüila de cidade do interior… As crianças brincavam alegres nas ruas, os jovens namoravam nas calçadas, as comadres tricotavam suas peças de lã, de linha ou as notícias da vida alheia…

O tempo passou depressa demais pro meu gosto, e com esse exagero de carros nas cidades, nos últimos tempos, embora a Cidade-Canção não seja ainda uma metrópole, seu trânsito já deixa os moradores desassossegados. Especialmente na Avenida São Paulo, perto dos shoppings, é um ato de coragem tentar encontrar estacionamento!

Pois é. Numa gostosa manhã de outono deste ano fui peregrinar num desses paraísos capitalistas. Bati pernas olhando vitrines, comprei algumas dessas coisas mais ou menos necessárias, fui ao banco, até que chegou a hora daquela fomezinha. Atravessei a rua, em direção a um restaurante em que servem pratos executivos sempre à base de milho cozido refogadinho ou creme de milho, que eu adoro!

Sensação gostosa a de me sentar num ambiente agradável, depois de tanto andar… Ambiente fresco, com aroma de manjar dos deuses entrando pelas narinas… A garçonete, já conhecida, cumprimentou-me sorrindo. Nesse instante bateu forte a saudade da filha mais nova, casada faz pouco tempo, que eu sei que adoraria estar ali comigo. Respondi ao cumprimento da moça e disse que ia esperar por alguém.

Telefone celular é mesmo uma bênção! Liguei pra filha, perguntando se conseguiria escapar do trabalho para almoçarmos juntas. Que bom! Disse que chegaria dentro de uns 20 minutos.

O maridão e ela tinham acabado de comprar um carro zero, e era uma ótima oportunidade pra curtir esse pequeno passeio. Eu só tinha visto rapidamente, nem havia prestado atenção na placa… Era a primeira vez que tinham um carro novinho em folha, e se alegravam com o cheirinho de novo…

Fiquei um pouco sentada, descansando, mas logo me lembrei de que estava por vencer o horário da Zona Star. Saí, então, para trocar meu carro de lugar e colocar outro cartão, pois gosto de fazer tudo certinho e detesto multas.

Peguei meu carro, cujo cheirinho de novo já se fora fazia vários anos. Aliás, nem fui eu a senti-lo… Como era hora de as pessoas se movimentarem para o almoço, fiquei pacientemente esperando um espaçozinho para sair do lugar.
Só mesmo algum milagre, ou alguma mágica, para resolver ou amenizar o problema do trânsito nas cidades… Pena que David Cooperfield não mora aqui, e, pelo que sei, não se dedica a fazer mágicas menores… Quem sabe o mago moderno pudesse inventar alguma maneira de o motorista, encalacrado no meio de seus iguais, poder acionar algum comando de forma a pular lá pra frente, em algum lugar vago, passando por uma via suspensa… Não seria má idéia, concorda? Sabe que sonho com isso muitas vezes?

Enfim consegui dar partida e fui procurar uma outra vaga. Dois quarteirões à frente, e usando a extraordinária força do pensamento positivo de quem assistiu ao filme “O Segredo”, lá estava ela! Aliás, grande demais para um carro só.

Parei, liguei a seta, percebi o mau humor de quem guiava o carro de trás mas não arredei pé de ocupar o espaço, até que o sinal abrisse e o apressadinho desse um jeito de seguir.

Pacientemente fiz a baliza e entrei. Uau! Tranqüilo, de primeira! Claro, com todo aquele espaço à minha disposição… Quando já ia fechar o carro, percebi que um motorista, com alguma dificuldade de mobilidade, tentava estacionar no espaço que sobrou à minha frente.

Observei, curiosa, seu ir e vir, e decidi, em vez de sair, engatar a marcha-a-ré, de forma a fazer para ele um espaço ainda um pouquinho maior. Isso não resolveria de vez o problema, pois não havia se distanciado suficientemente do carro à frente para fazer a manobra, mas era minha maneira de colaborar.

Por alguns segundos fiquei ali pensando na minha atitude de estar torcendo por aquela pessoa que eu não conhecia. Acionei informações e lembranças de violência, de indelicadeza em nossas ruas… E fiquei desejando, de coração, que fosse possível um mundo de pessoas gentis e que desejassem o bem umas das outras, tal como era meu sentimento naquela hora. “Vá outra vez pra frente, torça menos o volante!”, ordenava em pensamento, amorosamente.

Enfim, com mais uma tentativa parece que o espaço de repente aumentou, e deu tudo certo. Aí pude perceber, olhando mais atentamente através do pára-brisa traseiro, que não era O, porém A motorista.

Droga… Será que vou ter que dar razão ao infame ditado que diz: “Mulher no volante, perigo constante”? Odeio esse tipo de gracinha! Não chego a ser feminista, mas neste assunto defendo mesmo nosso gênero. Somos mais comedidas, mais atentas, sem dúvida! Mulheres não se envolvem tanto em acidentes quanto homens, apesar de os números apontarem cada vez mais luluzinhas ao volante.

Problema resolvido, estômago reclamando, retirei a chave da ignição, peguei a bolsa e fiz o movimento de sair.

E aí… Surpresa! A moça lá da frente foi rapidinha e logo trancou o carro dela… Com seu rabo-de-cavalo tão conhecido, saiu arrastando graciosamente os pés, como se fosse uma criancinha que não conseguisse correr. Isso é o que sempre faz Elise, caçula dos meus quatro filhos, que havia me reconhecido desde o começo da peripécia… Exibe seu mais doce sorriso e vem de braços abertos para o abraço!

Ah, que bom que meu sentimento pelo motorista da frente foi tão fraterno! Coração pacificado… Que almoço mais gostoso do mundo foi aquele!

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Livro publicado:

Capa-do-livro-Tecelã-de-Textos-Jeanette-De-Cnop-207x300

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Veja também:

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Contato:

JEANETTE MONTEIRO DE CNOP
E-mail: cnop@wnet.com.br

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Cadeira nº. 21 – Patrono: José de Alencar

João Batista Leonardo nasceu em Itápolis, Estado de São Paulo. Formou-se em medicina na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná. Fez pós-graduação em Ginecologia, Obstetrícia e Oncologia no Instituto Nacional de Câncer e na Maternidade Herculano Pinheiro, no Rio de Janeiro. Iniciou as atividades médicas em Maringá em julho de 1969.

É especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Oncologia, títulos conferidos mediante concurso pela Associação Médica Brasileira e suas Confederadas. Dentro da medicina tem trabalhos relevantes. Membro de todas as Associações e Sociedades inerentes às suas especialidades. Tem vários trabalhos médicos publicados.

Sócio ativo de Lions Internacional, filiado ao Lions Clube Maringá, desde 1971, exercendo cargos regionais e nacionais. Detentor de deferências leonísticas, medalhas, placas e reconhecimentos de Lions Internacional por serviços prestados. É “Companheiro de Melvin Jones”. Tem trabalho relevante na prevenção de uso de drogas, na região e no Brasil.

Autor dos livros: Para a Gestante, Drogas Perguntas e Respostas, Os Tempos da Esperança à Razão. Escreveu e dirigiu o filme: A vida e as Drogas.

DIVAGANDO

Umedecer os lábios, no orvalho da folha bulida na amenidade da aragem, embrenhar no balançar das pétalas coloridas e perfumadas, facilitar a germinação da semente é buscar na brandura vegetal a seiva da fortificação; é viver belezas infindas; é se postar nos privilégios do perceber, do sentir e do estar presente.

Abraçar os momentos entre dois extremos, manter o limiar das atitudes nos parâmetros da normalidade, fazendo da persistência o lenitivo do construir é escolher o caminho do meio, onde o absurdo não prolifera e a essência do sorrir será possível; é fazer do equilíbrio rumos certos, na contagem dos tempos em despedida.

Sonhos se desfazem, angústias permanecem, choros afloram, consolos procuram, mentes torpes machucam, emoções divertidas, risadas profusas nas alegrias são o continuar, manifestado nos prêmios e punições, impingindo, aos momentos, meditação.

Profundeza do mar, luz estelar, infindável universo, natureza verdejante são oferendas magnânimas, banalizadas na incompreensão humana. Buscam atenção, pedem prestígio, exemplificam gratuidade e inexoravelmente se vão no escoar diuturno. É o descaso humano, intrincado nos interesses do consumismo, deixando passar oportunidades e espetáculos grandiosos, cantados por poetas e veementemente desejados por tantos incapacitados.

A imensidão das galáxias se contrapõe à ínfima partícula nuclear do átomo, a amenidade do amor contradiz a brutalidade do monstro, a malícia do salafrário zomba a inocência do bocó, o estrondo da tecnologia ensurdece o borbulho da água minando. São patrimônios das ofertas e a importância das diferenças, dispostas na bandeja dos ensejos. O saber escolher e o poder da separação intrínseca dos desejos são privilégios. É dissipar ilusões e buscar a lógica.

Roda a fé nas contas do rosário, a decência dos propósitos busca espiritualidade, as decisões cumprem o arbítrio, o Onipotente anseia almas em preparação e escuta. O clamor por esperança retumba nos céus, festejando a unificação das preces, com hosanas e louvores celestiais, ansiando a iluminação e a plenitude.

A divagação expõe o âmago e espreita.

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Contato:

JOÃO BATISTA LEONARDO
Avenida Tiradentes, 968 – Ap. 1601
Maringá – PR / CEP: 87013-260
Telefones: (44) 3227-1921 / 3224-7585 / 9982-1520
E-mail: joaobatistaleonardo@terra.com.br

joel-cardoso

Cadeira nº. 25 – Patrono: Lima Barreto

Jornalista, colunista, editor da Revista Conexão e de diversos núcleos de jornalismo impresso e on-line.

Nasceu em São José dos Campos – SP, no dia 17 de fevereiro de 1951.

Autor de Crônicas, pensamentos e reflexões e DNA do jornalismo.

A lenda de Pégaso

Na vida todos têm um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e uma busca incessante de respostas inatingíveis.

Alguns estudiosos do comportamento humano, principalmente os que seguem a tendência filosófica de Freud, adotam alguns personagens da mitologia grega para definir as reações comportamentais do ser humano. Citações preferidas para traçar comparativos giram em torno da origem de Pégaso, o cavalo alado, símbolo da imaginação e da imortalidade.

Assim como na vida de cada um, existem os ciclos e as versões do atual estágio em que cada um se encontra, como ocorre nas versões do surgimento de Pégaso. Uma dessas vertentes diz que Medusa, uma donzela orgulhosa de sua beleza, principalmente dos seus cabelos, resolveu disputar o amor de Zeus com Minerva. Esta, enraivecida, transformou-a em monstro, com cabelos de serpente.

Outra versão diz que Zeus a teria seqüestrado e violado no interior do templo de Minerva, e esta, mesmo sabendo que Zeus a abandonara, não perdoou tal ofensa, e o fim é o mesmo. Medusa é morta por Perseu, que também foi rejeitado, e com sua mãe Dana é trancado em uma arca e atirado ao mar, de onde foi resgatado por um pescador que os levou ao rei Polidectes, que o criou com sabedoria e bondade.

Quando Perseu ficou homem, Polidectes enviou-o para a trágica missão de destruir Medusa. Para isto receberia o auxílio dos deuses. Usando sandálias aladas, pôde pairar sobre as górgonas que dormiam. Usando um escudo mágico de metal polido, refletiu a imagem de Medusa como num espelho e decapitou-a com a espada de Hermes.

Do pescoço ensangüentado de Medusa saíram dois seres, que foram gerados do conúbio com Poseidon: o gigante Crisaor e o cavalo Pégaso. O sangue que escorreu de Medusa foi recolhido por Perseu. Da veia esquerda saía um poderoso veneno, e da veia direita um remédio capaz de ressuscitar os mortos. Ironicamente, trazia dentro de si o remédio da vida, mas sempre usou o veneno da morte.

Entre a lenda, a ficção e a realidade, um desses personagens descritos pode estar adormecido ou pronto para voltar à atividade. No caso de um dos mais importantes intérpretes da música brasileira, a lenda do cavalo alado ganhou musicalidade com esta linda canção:

Pégaso Azul
Composição: Guilherme Arantes

Nesses 20 anos
Eu costumava abrir os olhos
por todos lados vi que o povo era um povo de estranhos.
Nesses 20 anos vi minha mãe e meu pai mais velhos,
trazendo, como a gente, todo o ocidente no peito
Mas tinha, onde fosse, minha voz a sussurrar
Oh! Pégaso! Oh! Voa!
Oh! Voa, que há pedaços da vida e gotas de música no ar
Oh! Voa, no silêncio das horas vive o prazer das coisas que voam
e coisas que voam gritam “Pégaso!” “Pégaso!” “Pégaso!”,
me gritam “Pégaso!, Pégaso!, Pégaso!”
Nesses 20 anos, não tive paz nenhum momento
mas é que são assim os que se criam neste cimento
Nesses 20 anos, das partes cruas e amargas,
restam sinais de estar mais perto dia após dia.
Mas tinha onde fosse…(repete)

***

Contato:

JOEL CARDOSO
E-mail: joelcardoso@onlinejornalismo.com.br

Cadeira nº. 30 – Patrono: Monteiro Lobato

Jorge Fregadolli é advogado, jornalista, historiador e editor da Revista Tradição. Nasceu em Quatá – SP, no dia 02 de março de 1938. Autor do livro De olho na história.

Natal na mata

Subindo ao terraço de um grande edifício no centro da cidade, ele girou os olhos, pousou a saudade lá na colina do Maringá Velho, no ponto exato em que, nos idos de 1942, fincara um rancho de palmito.

Tinha chegado de Minas, com bonitos sonhos. Lá, trabalhador rural, colhedor de café nas grimpas da serra. Aqui, chegou dono de 10 alqueires, comprados à prestação com o suor de sofridas economias. Veio sozinho, ele e Deus, e a Deus agradecia naquele Natal de 1942.

Embaixo de uma perobeira, no seu rancho de palmito, iniciava a grande aventura. Dalí partia toda manhã, enxada na mão, caminhando meia légua até chegar à clareira onde abrira o sítio. Limpou a área, remexeu a terra, plantou o café. Nasceu fértil a lavoura. Cresceu, abriu-se em flores, veio a primeira colheita, manteúda e farta. No entremeio de cada safra plantava o de-comer: feijão, arroz, milho bom para a broa de cada dia; criava leitões e frangos para de vez em quando festar.

O sítio pago, comprou mais terras. Fez casa na cidade, que já estava grandinha, cá embaixo no Maringá Novo. De pau-a-pique a primeira; logo depois outra, de material. Hoje ele diz que “subiu na vida”, morando num apartamento chique no vigésimo andar. De lá espia a Maringá que viu nascer, que viu crescer e embonitar-se. Gosta muito dessa curtição.

Mas é aquele Natal de 1942, no rancho de palmito, sozinhos ele e Deus, que recorda agora, choroso e alegre ao mesmo tempo.

Vizinhos havia, alguns, mas espalhados de longe em longe, no meio da mata. De fundo musical tinha o sabiá que lhe vinha todos os dias beliscar parcela da comida. O cheiro forte de flores nativas. O valão que corria ao lado, vindo de fonte hoje sumida. O nhambu assando na brasa, para animar o almoço daquele solitário Natal. O garrafão de vinho comprado um mês antes em Mandaguari.

Saudade de casa, da família que ficara em Minas esperando notícias dele. A patroa, os dois meninos, a caçulinha. Levantou um brinde a seu povo distante. O sabiá acompanhou, abrindo cantoria.

A fogueira espantava as cobras e os mosquitos. Uma onça moradeira nas adjacências já se tornara familiar, não assustava mais. Pegou o velho violão, cantarolou toadas. Miou a onça, assanhada. Caprichava no acompanhamento o sabiá. Um pica-pau e um bando de periquitos completavam a orquestra, fazendo a percussão.

Choroso, todavia alegre ele celebrava o seu Natal na mata. Sozinhos, ele, Deus, a onça e a passarada. Já se passaram 66 anos desde aquele inesquecível Natal. Parece que foi ontem. Os anos correm e a gente nem percebe. A vida é um zás.

Agora estava ele ali, no terraço do mega-prédio, olhando Maringá do alto e curtindo saudade. Oitenta e oito anos nas costas, os filhos todos formados, casados, a netalhada crescendo. A patroa, cabelos embranquecidos na luta, a mão cansada tricoteando sapatinhos para os primeiros bisnetos.

Já voltou muitas vezes a Minas. Quase todo ano vai lá recordar seus tempos de menino montanhês. Porém é de Maringá que ele gosta mesmo. Diz que lá ele apenas nasceu; aqui ajudou a fazer uma cidade.

Lamenta a derrubada geral das matas. Lamenta as geadas que espantaram os cafezais. Lamenta o exagerado barulho das ruas. Entretanto agrada-lhe paquerar o verde que sobrou nos bosques, nas praças e avenidas. Olhando do alto, Maringá ainda parece uma grande floresta, embora sem onças e sem sabiás. Ele curte caminhar pelas avenidas, passear no Parque do Ingá, onde vez por outra voam garças. Quando encontra velhos amigos, passa horas proseando histórias dos bons tempos.

Agora vai chegando o Natal de 2008. Muito diferente daquele de 1942. De lá do alto do terraço ele chora, ri e reza. Glória a Deus nas alturas, paz aos homens e às mulheres que fizeram Maringá!

***

João-de-barro, engenheiro da floresta

Feliz é o joão-de-barro,
constrói em qualquer lugar.
Ninguém, pois, lhe tira o sarro,
não lhe vai incomodar!

João-de-barro é engenheiro,
doutor pela natureza.
Porém, trabalha o ano inteiro…
sua casa, que beleza!

Um passarinho de nada
faz as casas em paineira.
Não tem diploma, que nada,
neste palco ele gorjeia!

João-de-barro, inteligente,
nem estudou – quem diria!
É arquiteto, docente,
um mestre em engenharia!

Não tem medo, se o tivesse,
não faria belo ninho.
Deus, ouvindo sua prece…
joão-de-barro, passarinho!

Maringá, 10/03/2007

*

Concurso literário, saudade…

O concurso literário,
pleno sucesso alcançou…
e acalentando visitantes,
do sonho que já passou!

Trovas e poemas livres,
as crônicas e sonetos,
cujo tema foi colheita,
dos ancestrais e seus netos.

Foram mil e nove textos,
que vindos a Maringá,
do Brasil e do exterior,
o mundo os conhecerá.

Os poetas têm linguagem
colhida nas emoções,
plantaram nesta paragem
para se colher canções!

Noite de fraternidade,
de poemas e canções,
unindo nossa irmandade
num elo de corações.

A colheita foi mais farta,
deu um paiol de poesias.
Poetas daqui, de Esparta
só colhiam alegrias!

Foi a noite de poesia
dos confrades e confreiras…
que colheita de alegria
de irmãos, de irmãs brasileiras.

Maringá, 23/04/2007

***

Contato:

JORGE FREGADOLLI
Av. Brasil, 3278 – Maringá – PR
CEP: 87013-902
Telefones: (44) 3227-3835 / 3227-4506
E-mail: propaganda@wnet.com.br

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Cadeira nº. 40 – Patrono: Vinícius de Moraes

José Bidóia é agropecuarista e compositor, conhecido como “O poeta das estradas”. Nasceu em Penápolis – SP, no dia 09 de janeiro de 1930. Autor deAmenidades; Gotas de luz; Fascínio; Devaneios e Rimas badaladas.

ACREDITO

Acredito em Deus, no amor, na flor, no sorriso, na poesia, nos sonhos e ideais.

Acredito na comunhão das almas, naquelas que se inspiram na pureza das virtudes e somam átomos de esperança, formando contas até completarem o rosário da fé.

Acredito na vida e na vitória dos nossos semelhantes.

Acredito na mão que aperto, nos braços fraternos.

Acredito no cinturão formado pela honestidade, inteligência e trabalho: só ele poderá ricochetear as balas da corrupção, imoralidade, preguiça, pessimismo e os vícios, fazendo-as voltar às origens.

Acredito na justiça imparcial, no direito, na democracia e na paz social: só elas poderão restaurar a dignidade humana e levar-nos a um destino feliz.

Acredito em quem ocupa as horas ociosas para separar o joio do trigo, a fim de que nosso pão espiritual de cada dia seja abençoado pelo Espírito Santo.

Acredito nos que atravessam a corredeira poluída nadando com uma só mão, enquanto a outra leva a bandeira da fraternidade aos ribeirinhos da vida.

Acredito em você e em seu desejo de vencer com fé e harmonia, de alma e coração, as feras indomáveis e ameaçadoras da evolução material e espiritual do homem.

Por isso o convido para participar da corrente dos perseverantes, levando luz e amor aos irmãos carentes.

Venha!

Entre na fila em prol do próximo.

Por Deus, aceite este convite e jogue no lixão as medalhas do orgulho e falsidade, soltando as rédeas da virtude.

Venha!

Acredite, à minha frente há um lugar deixado por quem já cumpriu sua missão e foi morar para sempre ao lado do Mestre.

Eu acredito. Acredite também, e, se mais ninguém nos ajudar, nós levaremos, através dessa maratona, a tocha olímpica da fraternidade universal até completarmos nossa missão, e a deixaremos no altar do pódio divino, onde um dia todos os povos rezarão unidos, acreditando em Deus e agradecendo a Ele.

***

XEQUE – MATE

Xeque-mate, gritava o poeta, sempre no final de suas emotivas apresentações pelas casas noturnas ou familiares da aprazível mas irrequieta cidadezinha do interior, onde era considerado o príncipe dos versos, acalentado pelas emoções despertadas por suas próprias poesias e pela doçura das palavras brotadas da alma humilde que servia de pedestal às suas inúmeras virtudes.

E assim o poeta vivia feliz: exímio declamador, envolvente nos gestos, conhecedor e apaixonado da literatura poética de onde liberava fascinantes histórias capazes de arrancar lágrimas e ovacionantes aplausos das mais heterogêneas platéias.

Diariamente, o poeta do xeque-mate, como era conhecido e admirado, era convidado para festas, das mais humildes às mais requintadas: festas religiosas, beneficentes ou simplesmente para dar vida às ocasiões de lazer e recepcionar convidados ilustres, quando recebia por cachê aplausos e congratulações.

E assim passavam-se os anos nessa convivência pacífica, alegre e harmoniosa, fortificando e florindo a vida daquela comunidade, cujo povo abrigava sonhos e se alimentava de amor, fé, cultura, lazer e poesia.

Até que um dia, no aniversário da cidade, numa praça ao ar livre, entre vibrantes aplausos, o poeta do xeque-mate subiu ao palco e, quando fechava o espetáculo da gostosa noite, como última apresentação, com o poema que havia criado em homenagem à cidade e a sua gente, ele parou num dos pontos-chaves de sua sonhada obra e, após receber calorosas salvas de palmas, pediu silêncio ao público, olhou para o céu e, em tom bem audível, falou que estava vendo uma estrela brilhante descendo por entre as nuvens brancas. Disse “xeque-mate” e morreu.

***

PARÁBOLA DA PESCARIA

Dois amigos, pescadores amadores, costumavam levar seus filhos menores como companheiros.

Era um lazer bonito, admirado por todos os participantes daquele pesqueiro, mas isso não vem ao caso. O que marca nesta narrativa é que o pai de Vinícius sempre pegava peixes maiores que o filho, e o pai do Zezinho sempre perdia, em tamanho e beleza, para seu amado companheiro.

Em determinado dia, num papo dos dois garotos, o Vinícius, todo motivado, orgulhosamente falou: “Meu pai é um herói; sempre pega os maiores e mais bonitos peixes”. Ao que o Zezinho, cheio de empatia, prontamente respondeu: “O meu também é um herói e muito mais do que o seu. Ele deixa os maiores para que eu me divirta mais”.

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Cadeira nº. 11 – Patrono: Cláudio Manoel da Costa

Lázaro Marinho Dominciano é mecânico naval. Nasceu em Campestre-MG, no dia 03 de outubro de 1944.

Autor de Quatro poetas e um ideal; Visão da vida e Os três perdidos.

A GRANDE CHAGA DA HUMANIDADE

“Nós os poetas, nós os médicos, nós os engenheiros, nós os agricultores, nós os químicos, nós os astronautas; nós todos os seres humanos, grandes ou pequenos, temos uma chaga aberta.

Voamos, nadamos, corremos, mergulhamos em mundo desconhecido, até então! Muitas das vezes em terras já bastante habitadas, já há tempo cultivadas, mas os seus ainda possuem a tal ferida.”

Um grande viajor sentado à beira de um caminho se dispôs a contar seus feitos pelo mundo.

Contou-me sobre os cincos continentes. Às vezes era interrompido por minhas indagações, muitas vezes sem nenhum sentido, mas ele pacientemente ponderava, numa demonstração de saber, a respeito de meu afoitismo.

Este viajor esteve com as mais belas mulheres deste mundo, mundo chamado civilizado. Conheceu as maiores misérias de que o planeta terra é portador.

Esse viajante agitou as águas de um pequeno riacho e bebericou das salinas mais amargas desta vida. Ele continuou a dizer que a grande ferida continuava aberta na maioria dos habitantes deste planeta.

Meu amigo se despediu e partiu, e eu fiquei sentado à beira do caminho, a ver os seres trafegarem em um contínuo vai e vem.

Apressados e afoitos, aos tropeções, amargurando sempre seus afazeres. Pacientes e abnegados, transitando com a canção da brisa mansa.

Os cautelosos e sábios transitando seguros depois do sacolejar das grandes tormentas.

Os grandes e pequenos animais irracionais, sempre viajando depois do amanhecer, na espera de uma certeza em não dar um só passo na escuridão, ao passo que eu apenas apreciava a grande multidão de seres humanos com feridas abertas, levando banho de poeira, chuva, sol e até granizo, nunca misturando com a poluição criada pelo próprio ser chamado humano.

Gente que uma vez ou outra lava as chagas com as águas da chuva que lhe é gratuita.

Outras pessoas fogem ao remédio, acham que este é muito dolorido e vai até ferir suas almas; e assim continuam vivas e destruidoras como o sal de Sodoma e Gomorra!

O vento e a poeira continuavam assolando as grandes e pequenas chagas, ao passo que o sol de calor sufocante mistura na mente dos chagados, no afã de se curarem e com o medo da grande dor que o medicamento trará.

Assim vai a humanidade, caminhando com grande ou pequena ferida.
O caminho viajor voltou. Desta vez, ainda mais calmo e paciente. Encontrou-me sentado à beira do mesmo caminho, apreensivo, vendo a multidão a trafegar.

Meu amigo viajor firmou seus olhos nos meus e falou com voz firme:

“Vamos, enfileire-se aos transeuntes, mas não se esqueça de levar o frasco do remédio. Sei que vai precisar e aí use moderadamente! Oh, já ia esquecendo, a ferida se chama IGNORÂNCIA”!

***

A PAZ DE VIVER

Expressa um sorriso mais que lindo
Nele não há amargura, nem pranto!
Eis como um grande dia vem surgindo.
Festivo, rebelde: com muito encanto.

Pois os puros anjos estão curtindo
Este teu belo viver de acalanto.
E o teu grande amargor foi sumindo
Ficou fora do peito: preso num canto!

Sacrificando teu viver tão lindo
Para do outro não ver o triste pranto,
Com grande humildade vai seguindo.

Vejo contigo um lindo anjo santo,
Vai com a brisa teu caminho florindo.
“Que a virgem lhe ampare com seu manto!”

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Cadeira nº. 14 – Patrono: Érico Veríssimo

Majô Baptistoni é atriz, diretora e professora de teatro. Nasceu em Alto Paraná – PR, no dia 24 de agosto de 1961. Autora dos livros: Pingos de vida; O pintinho assustado e O menino que ganhou uma boneca.

A Formatura

O ginásio estava cheio e não parava de chegar gente. As pessoas traziam faixas, balões, cornetas… O momento era de muita festa, muita emoção. Dessas que só consegue realmente avaliar quem passou por ela. Familiares, amigos, colegas, todos queriam estar ao lado dos seus, nesse momento marcante em que lhe seria entregue o tão sonhado canudo. Resultado de tantas abdicações, tantas festas dispensadas, tantas noites passadas em claro pesquisando, tantos momentos de desânimo, quando parecia que não ia conseguir. E agora estavam ali, dentro daquela roupa ridícula, mas que tanto os orgulhava. Um sentimento parecido com o de um astronauta saindo da nave, de volta a terra. Muitos já estavam trabalhando na área em que se formaram, outros voltariam para suas cidades, onde trabalhariam na empresa de um parente. Alguns ainda não sabiam o que fazer quando a festa acabar.

Gilberto olhava para seus colegas e sentia uma pontinha de inveja, quando via a caravana que viera para torcer pelo sucesso deles. Ele sabia que ali não haveria ninguém para aplaudir, tocar corneta, estourar balões ou gritar pelo seu nome, quando chegasse sua vez de buscar o certificado.

Filho de uma família pobre de uma pequena cidade do interior, de onde seus dois irmãos mais velhos fugiram, por não agüentar a bebedeira do pai, que acabava sempre em pancadaria, onde a vítima invariavelmente era a mãe, teria de se dar por feliz em ser o único da família com o tão sonhado curso superior. .

Ele sabia que não teria ninguém para abraçá-lo naquele momento, pois a última notícia que tivera dos irmãos é que um estava preso por furto e o outro fora assassinado numa briga de bar, numa cidadezinha distante dali. A mãe, já com mais de sessenta anos, não teria como se deslocar até ali, pois era muito pobre e provavelmente não teria o dinheiro para bancar as despesas da viagem.

Quando lembrava da mãe, se emocionava. Era a melhor pessoa que já conhecera em toda sua vida. Não tinha defeitos. Era uma santa. E sonhava em um dia poder retribuir a ela tudo de bom que significara em sua vida. Não admitia que aquela mulher que já sofrera tanto na vida continuasse tendo de lavar roupas para sobreviver, pois nem direito à aposentadoria tinha, uma vez que nunca teve carteira assinada.

O grande número de pessoas ali presente tornava o ambiente ainda mais quente, e Gilberto suava dentro da roupa preta. Queria que sua mãe o visse ali, prestes a ser chamado de doutor Gilberto. Com certeza ela iria se orgulhar.

Ele sentiu uma pontada de vergonha, quando lembrou das inúmeras vezes que teve de recorrer à pobre mulher para que enviasse dinheiro para pagar o quarto que alugara. Mas nunca deixou que ela soubesse que muitas vezes dormira com fome, por não ter o que comer. Para estudar, não podia pegar um emprego fixo. Manteve-se de “bicos” como garçom em festas de casamento e aniversário. Agora, ali estava ele, como se nada disso tivera acontecido. A vida agora seria diferente. O doutor Rogério não ia mais passar fome, nem explorar a pobre mãe. Agora, já estava decidido: ia dar tudo de bom pra sua mãe. Não ia nem querer se casar enquanto esta fosse viva, só pra não ter de dividir o amor e atenção que, tinha certeza, deveria ser todo daquela mulher que desde a infância o protegera das maldades do pai, e que nunca mediu esforços para comprar seus cadernos. Tudo o que ele queria agora era encontrá-la bem de saúde. Já fazia dois meses que não tinha notícias. O telefone da vizinha mudara e ele não tinha outro meio de comunicação com a mãe, senão por cartas. Porém, essa era analfabeta. Tinha sempre que pedir para alguém ler as cartas que recebia do filho. Nunca tivera oportunidade de ir à escola quando criança. Na última vez que falara com a mãe, essa dizia ter ido conhecer uma escola de alfabetização para adultos, mas que não sabia se iria freqüentar, pois as aulas eram à noite e ela andava muito cansada, e acreditava não ter mais disposição para aprender.

Durante a execução do hino nacional Gilberto se emocionou. Pensou em tantos outros “filhos dessa Pátria amada Brasil” que não conseguiram sequer terminar o ensino fundamental, por conta de um trabalho exaustivo, que não lhes dá o direito a nada mais do que uma pequena quantidade de ração, suficiente apenas para um sobreviver subumano.

A hora estava chegando. O mestre de cerimônias começou a chamar os formandos por ordem alfabética. A cada manifestação de familiares ele sentia uma profunda tristeza. Por mais que se esforçasse para sorrir e pensar naquele momento feliz, um nó na garganta quase o impedia de respirar.

Quando anunciaram seu nome, sentiu um frio na barriga e caminhou com as pernas meio bambas até o tão sonhado diploma. Ao acabar de receber o cumprimento, conseguiu reconhecer entre todos os ruídos um grito: FILHO! Não podia acreditar. Lá estava ela. Em meio à multidão, aquela mulher franzina, vestida com simplicidade, sustentava, com suas mão calejadas e unhas gastas, uma cartolina escrita em letras tortas: “FILIU EU TI AMU”.

O estádio pareceu silenciar naquela hora. Ele desceu o pequeno degrau e correu ao encontro daquela figura linda, e a abraçou soluçando. Como numa explosão, todos se levantaram para aplaudir. O abraço parecia não ter fim. Ele não precisava de mais nada. Aquele momento compensou todo o sacrifício para chegar até ali.

A mãe, orgulhosa, disse no seu ouvido: “Viu, meu filho, eu também to estudando. Fui eu mesma que escrevi sozinha esse cartaz!” Ela não precisava dizer mais nada. Havia se sacrificado mais uma vez, estudando à noite, depois de trabalhar exaustivamente durante o dia, para aprender a escrever e lhe dar essa imensa alegria. Gilberto tinha consciência de que encontraria muitos desafios pela frente, mas tinha certeza de que o exemplo dessa mãe guerreira o acompanharia pelo resto de sua vida.

***

Contato:

MAJÔ BAPTISTONI
Rua Carlos Augusto Tourinho, 887
Recanto Kakogawa – Maringá – PR / CEP: 87023-416
Telefones: 3246-5804 / 9951-7036
E-mail: majobaptistoni@hotmail.com

Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina, e desde os 13 anos mora em Maringá.  Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos e pensamentos. De início publicava, e ainda publica seus textos em seu blog pessoal (www.letralirica.blogspot.com). Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões, escrito primordialmente no facebook. É editor da Revista online de Literatura “Pluriversos”. É professor de língua francesa e mestrando em Estudos Literários pela UEM, desenvolvendo pesquisa na área de literatura comparada.

Maria Cristina Vieira

Nasceu em São Jorge do Ivaí – PR, em 1970.

Pedagoga, técnica em enfermagem, artista plástica, autora e ilustradora.

Membro da UBT – União Brasileira de Trovadores – Maringá.

Em 2013 fundou a Editora Flor do Brasil. Em 2014, na 1ª festa Literária de Maringá, a Editora Flor do Brasil abriu suas portas para o mundo literário.

Foi trabalhando como técnica em enfermagem que Maria Cristina se descobriu como escritora  e ilustradora de histórias, vivenciadas dentro das enfermarias e dos corredores dos hospitais onde atuou, por 15 anos.

Suas ilustrações começaram nas paredes dos corredores da pediatria do Hospital Universitário de Maringá, na pediatria do Hospital Santa Lúcia (atual Hospital Memorial), na brinquedoteca do Hospital Paraná.

Para Maria Cristina, escrever e ilustrar não é o suficiente; é preciso dar vida às histórias, é preciso muita dedicação, carinho e respeito ao próximo!

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Cadeira nº. 34 – Patrona: Rachel de Queiroz

Capixaba e taurina, de 20 de maio de 1950, formada em Letras anglo-portuguesas pela UEM, ministrou aulas, no curso de Letras e no ILG, onde foi, também, coordenadora pedagógica.

Radialista por seis anos, apresentou um programa, pela Rádio Difusora de Maringá, cuja tônica era contribuir para com a cultura de nossa população.

Escreveu “UNIndo prosa e VERSO” em 2003 e tem 2 livros no prelo: “A fazendinha da Isa” – infantil, e ” Vivências do imaginário” .

ALBATROZ

Albatroz: mensageiro de tormenta.
Dela nunca se afasta; nem mesmo tenta…
Paira sereno sobre os espasmos úmidos do mar.

Altas vagas explodem desconexas
espargindo espumas brancas de água e sal complexas.
O vento desafina tons de ópera funesta
mas o mantém na rota e não contesta
o roteiro alado que teima percorrer.

Como fugir,
se o clarão da tempestade não se esconde?
Para onde ir,
se o rugir dos cbs se ouve ao longe?
Onde ficar,
se a segurança não é vista no horizonte ?
Por que temer,
se males vêm e vão
e depois da fúria fica em paz o coração?

O amassado da superfície
deixa escapar grunhidos de profundezas frias.
O negrume baixo do céu congestionado,
por riscos de luz pulsa, iluminado:
espetáculo de força magistral.
Explosão da natureza temperamental!

Exemplo e alento vêm, ave marinha,
ensina a coragem para o embate.
Reforça-nos o bico, prepara o bom combate.
Dá-nos força para vencer o caos que se avizinha!

Sobre a procela flutua o albatroz!
Na certeza que vencerá este momento;
nunca faz do mau tempo seu algoz.
Firme, contra ou a favor do vento,
paira seguro aproveitando o tempo
enquanto voa livre, feliz, veloz!

*

ENTRE O AMOR E O NADA

E que importa a duração de um amor
maduro, jovem, casto ou atrevido?
E que importa a dor que vem depois
do envolvimento havido,
se quando aconteceu

lá estiveram: a luz indisfarçável do olhar,
os suspiros de total encantamento,
os sorrisos de sonho a se formar,
na vibração de real contentamento?

Antes um amor
pequeno, curto, ou desapontador
que uma vida insípida,
vazia e sem calor!

De qualquer amor nos ficam restos:
a saudade – aquecendo madrugadas,
na companhia das recordações…

Antes fragmentos que o Nada,
já que com eles tecemos nossa história,
nossa sorte, nossos rumos, nossa estrada.

Com gravetos da tentativa inglória
construímos portais que nos acessam
reviver sabores de vivência partilhada
quando a verdade era amar e ser amada…

Sentimentos assim
são tesouros que não se pilham…
São barcos seguros atracados nos seus portos.

Quando, entretanto, a cama é grande e fria,
e nem mesmo fantasmas a partilham
– se ar é vida – respiramos, sim!
porém na alma estamos todos mortos!

***

Livros publicados:

Unindo Prosa e Verso.capaUnindo prosa e verso

Publiquei esse livro em 2003, ano em que ingressei na Academia de Letras de Maringá, visando cumprir o estatuto que dispõe sobre a necessidade de, ao menos, uma obra literária publicada para que o postulante seja admitido na entidade.

Sempre escrevi muito. Tive um grande mestre, apaixonado pelas letras e por seus alunos, nos quais incutia o amor à leitura e o gosto pela escrita: professor Ary de Lima, um sábio poeta!

Amparada pelos amigos A. A. de Assis, Jeanette Monteiro de Cnop e Antonio Facci, revirei gavetas e velhos cadernos à procura de textos publicáveis. A auto censura desqualificou sua grande maioria. E a confusão aumentava: escrever sobre o que? Um livro de poemas? De crônicas? Um romance, talvez? Incapaz de encontrar uma solução única, optei por um mosaico de formas e conteúdos mais condizentes com meu espírito. Em todos os textos, minha própria maneira de ver o mundo em verso e prosa.
Agradeço aos colaboradores, amigos  e leitores que me tornam uma pessoa melhor a partir de cada contribuição, crítica e incentivo.

O lançamento foi feito em 18/11/2003, no dia do último aniversário de meu pai Joaquim Alves da Silva, como homenagem a ele, e deu-se numa casa de shows chamada Apoteose através de apresentações  lúdicas onde sobrinhos e amigos apresentaram fragmentos de meu UNIVERSO.

*

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Sob as lonas da imaginação

Livro de histórias infantis  em co-autoria com Isadora Magalhães Palma e Silva, minha neta, então com 5 anos.

Crendo piamente na magia da imaginação e na riqueza que um livro pode trazer à vida de qualquer leitor, tentei acostumar Isadora a apreciar  o mundomágico do faz de conta construtivo.

Ela, curiosa e interessada, entrou de alma e coração no processo que se deu aos poucos e em fases. Primeiro ouvindo os clássicos infantis, vibrando com o desenrolar da narrativa. Num segundo momento, contando partes da trama conhecida. Já mais exigente, escolhia personagens para uma história inédita. O passo seguinte foi surpreendentemente natural: passou a ser co-autora dos episódios.  Com sua fértil criatividade, inventou um sistema de “fechamento” do pensamento. Quando estalava os dedos e batia palmas, era hora de deixar que a outra continuasse o enredo a partir daquele momento. Avó, neta e um arsenal de boas gargalhadas deram origem ao livro. Foi difícil escolher sete dentre as diversas histórias criadas. Na verdade, deveriam ser apenas seis, já que o livro seria dado aos amiguinhos como lembrança de seu sexto aniversário, mas Isadora não abriu mão das escolhidas e acrescentou a lagartixa sem juízo por considerá-la importante para que as crianças aprendessem a dizer por favor, desculpe e muito obrigada. As histórias foram gravadas e as cores, no livro, indicam a autoria de cada trecho. Rosa, Isadora e azul, Eliana.

Contamos com a ajuda especial de Vanessa Miranda, competente e delicada ilustradora, de Maria do Carmo Silva de Miranda e Sérgio Dalálio na composição e diagramação das páginas.

Agradecemos também  as sugestões de Zeri Monteiro, Olga Agulhon, Rosa Maria Esteves da Costa e a revisão de Jeanette Monteiro de Cnop.

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Veja também:

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Contato:

MARIA ELIANA PALMA
Av. XV de Novembro, 462 – sala 105
Zona 01 – Maringá – PR / CEP: 87013-230
E-mail: mep@teracom.com.br

Cadeira nº. 29 – Patrono: Menotti Del Picchia

Médico, oftalmologista, rotariano, foi presidente do Clube Hípico de Maringá e da Associação Paranaense de Oftalmologia secção noroeste, por duas gestões cada.

Obras: Heloísas & Marias (poesias, 1998); Tonometria de aplanação com e sem fluoresceína; Um novo produto na esterilização do tonômetro de aplanação de Goldmann; Facomatoses; Tonometria sem anestesia, comparação da espessura central corneana com o paquímetro ultrassônico e o óptico.

Nem tudo é o que parece ser

João Pedro, comerciante, de estatura mediana, pardo, vivia numa pequena cidade do interior paulista. Casado pela segunda vez, tivera uma relação conturbada com a primeira mulher. Pai de quatro filhos, apaixonara-se pela Aparecida, morena bonita, dez anos mais jovem, separada, com dois filhos. João Pedro foi morar na casa da Aparecida. Ficava mais fácil, iria economizar, tendo em vista que o novo lar era confortável, não precisaria pagar aluguel, pois Aparecida era dona do imóvel. Essa união já era estável e o casal vivia uma vida tranqüila e feliz.

Todos os anos o João Pedro fazia um exame médico de rotina, que incluía uma avaliação cardiológica, um exame urológico, pois já passava dos cinqüenta, e os exames laboratoriais de rotina. João Pedro mantinha um controle dos exames anteriores, os quais estavam dentro dos limites da normalidade. João Pedro era esportista e jogava futebol duas vezes por semana, além de praticar musculação. Bebia somente socialmente, não fumava, alimentação natural no café da manhã e vegetariana no almoço. Dono de uma pequena mercearia, quase não tinha tempo para fazer refeições em casa. Era fiel a sua esposa, com quem tinha uma vida feliz e harmoniosa.

Os resultados do exame cardiológico e urológico foram normais. No entanto, o exame de sangue revelava uma leucopenia, que significava uma redução do número de glóbulos brancos. O cardiologista sugeriu um exame com hematologista para determinar a causa deste problema. João Pedro marcou a consulta com um especialista na cidade vizinha, que, sendo de maior porte, tinha mais recursos médicos.

João Pedro não tinha nenhum antecedente clínico, gozava de boa saúde, não fazia uso de medicamentos ou drogas. Somente pintava o cabelo uma vez pos mês, para manter a aparência mais jovem; na verdade, João Pedro era bem vaidoso.

Vários exames de sangue foram solicitados pelo hematologista, e entre eles pesquisa para hepatite C e sorologia HIV. João Pedro, que se considerava sadio, ficou alarmado, pois existia a possibilidade, embora remota, de estar com AIDS. Submeteu-se à coleta de sangue num Laboratório de renome na cidade. Como havia vários exames, o resultado somente sairia três dias após. Nesse ínterim, a possibilidade de ser soropositivo não saia da cabeça. Ficava imaginando, se isso de fato ocorresse, o que iria fazer na vida. Já que o preconceito para pacientes aidéticos é fator notório na sociedade, como ficariam os negócios se os clientes soubessem da doença? E ainda, o mais grave, havia a possibilidade de ter transmitido a doença para Aparecida, que não tinha nada com isso. Para complicar, como ficaria o relacionamento com os filhos dela? Iriam condená-lo para o resto da vida por ser o responsável da doença da mãe.

Os seus filhos ainda poderiam aceitar, ponderava o João Pedro, mas não ocorreria o mesmo com os da Aparecida.

O raciocínio também valia para o tratamento. Tinha conhecimento de que os aidéticos atualmente tinham uma sobrevida maior, pelo uso de medicamentos antivirais mais atuantes. Mas o tratamento era por toda a vida, era necessário o uso de muitos comprimidos ingeridos diariamente, sem contar com os efeitos colaterais dessas drogas.

Sabia que os aidéticos estavam sujeitos a infecções freqüentes, pela baixa imunidade, sem falar que a sobrevida, agora mais longa, poderia ser abreviada por uma intercorrência. Se isso acontecesse, o seu futuro seria mais breve.

Tais conhecimentos foram adquiridos através de programas de saúde na televisão. João Pedro tinha um bom nível de escolaridade, lia todas as noites o Jornal que chegava da Capital e mantinha-se bem informado.

O estresse cada vez aumentava mais e ficava ponderando: como poderia ter contraído a doença, se não tive qualquer relacionamento extraconjugal, nenhuma transfusão sanguínea, não era usuário de drogas?

Todo esse raciocínio se mantinha repetitivo, embora se esforçasse para deletá-lo de sua mente. Foram noites de insônia. A esposa já reclamava porque não conseguia dormir direito. No trabalho, já não conseguia raciocinar, errava nas contas, o cansaço era evidente, traduzido pelas noites mal dormidas.

Enfim o dia esperado chegou. Estava na hora de conferir os resultados dos exames. Isso era fácil: bastava acessar pela internet o site do Laboratório utilizado-se da senha que constava no pedido. João Pedro estava apreensivo, já com a pulsação acelerada, sudorese abundante, resultante de um estresse acentuado. Desta forma, assim procedeu e em poucos minutos teve acesso aos resultados de exames. No entanto, estava faltando as reações sorológicas para HIV. Entrou em contato com o Laboratório, que foi taxativo: somente poderia ter acesso ao exame pessoalmente, com carteira de identidade.

João Pedro ficou apavorado, imaginando o pior. Provavelmente o resultado seja positivo e só me comuniquem na minha presença. Até chegar ao Laboratório foi um sofrimento indescritível, passando pela sua mente todas as implicações de estar com a doença. Finalmente, estava com o envelope do Laboratório e nervosamente começou a ler os resultados: reações sorológicas para HIV negativas.

Foi indescritível a sensação de alívio! Agora era só comemorar, apesar da leucopenia.

Na verdade, o seu problema era uma deficiência de Vitamina B12, que resolveu com o tratamento adequado. Ficção, não. Tal fato realmente aconteceu.

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Contato:

NELSON MAIMONE
Rua Néo Alves Martins, 3415
Zona 01 – Maringá – PR / CEP: 87013-060
E-mail: n.maimone@gmail.com

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Cadeira nº. 37 – Patrono: Ruy Barbosa

Nilsa Alves de Melo cursou Ciências Biológicas na UEM e Mestrado em Didática com ênfase no ensino de Ciências na USP.

Autora de livros didáticos para o Ensino Fundamental em Estudos Sociais – Paraná e Ciências.

***

Naquela tarde, numa cidade do interior paulista, em abril de 1942, nascia quem eu melhor conheço e procuro conhecer cada vez mais. Tal tarefa, às vezes é difícil.

Sempre gostou de ler, de ensinar, de aprender, de escrever. E de plantas e animais, e de mudar. Ainda criança ouvia dizer que cada um terá, no céu dele, o que mais gosta; então, o dela terá os seus queridos, precedidos de seus pais, que continuarão a lhe contar histórias, muitas plantas, muita água, frutas, animais em maior quantidade, gatos, de todos os tamanhos e cores. E passarinhos.

Muitos livros e tempo para escrever. Sem recomendações de que deve ter tantas linhas, tantas páginas, essas coisas. Uns doces, daqueles de pedaços e leite condensado, sem nenhum chato dizendo que engordam. De vez em quando uma taça de um bom vinho.

Passear pelos campos e matas, sozinha ou com gente que gosta de música, de ler, de escrever, tanto prosa como poesia. Que vê mais além do visível, que saiba ler a grandeza da cotidianidade, o óbvio, o simples.

Seus pais lhe deram o nome de Nilsa Alves de Melo. Acho-o tão eufônico, bonito mesmo. É o meu!

REDUZINDO AO ESSENCIAL

Viviam ambos na mesma casa. Tão íntimos.

No início da vida tudo foi muito bom! Cumplicidade perfeita, um “mar de rosas” como se costuma dizer. Alguns anos depois a casa foi se modificando, as diferenças foram aparecendo e as brigas foram aumentando ao ponto de um deles ficar doente e, às vezes, até os dois.

– Sossegue, amor!

– Como quer que sossegue? Tenho de falar, de pôr ordem nessa bagunça que você faz. Falta disciplina!

– Não vês que sofro?

– Tem é de encarar a realidade.

Outras vezes, o que se considerava tão cabeça dizia, até com jeito:

– Sossegue, amor!

– Como? Sinto como se tivesse um nó na garganta, tenho vontade de chorar, até de … morrer.

– Mas ainda ontem você não ocultava sua alegria quando lhe trouxe aquelas flores. Achei quase ridículo sentir-se nas alturas por causa de algumas flores.

– Algumas flores? Era isto para você? Vi foi o amor, a delicadeza, a forma como me foram oferecidas. Ah, me senti nas nuvens, sim, insensível!

Vê tudo atrapalhado, pensou o outro.

E as desavenças continuavam. Não queriam sair daquela casa, o seu universo, mas às vezes era insuportável. Um queria sobrepujar o outro. O disciplinado, enquanto dominava sentia-se bem, mas logo via tudo tão seco, insípido, sem a companhia impulsiva, meiga, sensível, vendo além do invisível…

Quando o mais doçura tentava dominar, ficava como que alucinado. Passava de uma sensação a outra e quase não podia dominar o sentimento que o invadia. Imaginação. Quem mesmo a havia chamado de “a louca da casa”? Ah, o disciplinado poderia pôr ordem naquele caos. Só ele sabia ver o que era prioritário, essencial. À sua intuição ele proporia sua informação; à inspiração, seu saber; à compaixão, a sabedoria.

Separavam-se, cada um para seu lado. Buscavam aprender um com o outro, mas nessas ocasiões eram divergências, na certa.

Pensaram em morar em ambientes separados, mas viram que precisavam um do outro – o doçura é que pensava assim. O disciplinado, nem tanto.

– Um dia, tudo passará!

Nesta afirmação os dois estavam de acordo

Numa bela manhã a doçura começou a sentir umas premonições de que iria deixar a casa. Ficou pensando como o tempo passou depressa. A casa já era considerada como antiga em comparação com outras novinhas que eles viam sendo construídas. A tecnologia apresentava cada vez mais recursos para consertar os estragos causados pelo tempo. Até que dava uma aparência diferente. Mostravam o antes e o depois – o depois sempre aparecia com um sorrisão aberto, forçado, mas não havia como esconder que o tempo passara por ela.

– Querido, vou fazer um puxadinho aqui.

E ele:

– Deixa desses puxadinhos. Só estraga a planta original. É um único conjunto. Esforcemos por conservá-la firme e segura, na medida do possível.

Falou com o disciplinado sobre seus receios, suas premonições. O que ele achava?

– Não são premonições. São fatos. Chegaremos ao fim juntos com esta casa.

– Tenho medo. Você ficará perto de mim?

– Claro. Só que vou pegar no sono antes de você. É você, doçura, quem, corajosamente vai apagar a luz e entregará a casa.

Madrugada. Pressente-se alguma coisa. A casa! Seria o fim a que tudo o que existe está destinado? Seria, sim.

O disciplinado adormeceu logo depois. A doçura ainda ficou pulsando, levando a despedida a todos os cômodos da casa, apagando a luz de cada um deles, até que, cansada, parou. Nem tentou chamar seu companheiro, pois sabia que seria o primeiro a sossegar. Seu amigo fiel por tantos anos naquele lar, também não acordou. Sabia que a doce companheira dormiria um pouquinho mais tarde para não acordar mais.

Cérebro e Coração, adormecidos naquela casa, nem viram quando ela foi soterrada, no outro dia, de tardinha.

Dizem que uma luz diáfana emanou dela. Reduziu-se ao essencial e tornou-se invisível aos olhos dos demais. Esse “essencial” levava, sorridente e envolto em luz, todo o aprendizado obtido pelos dois.

O anoitecer estava lindo!

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Veja também:

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Contato:

NILSA ALVES DE MELO
E-mail: namelo@wnet.com.br

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Cadeira nº. 24 – Patrona: Lygia Fagundes Telles

Produtora rural, pedagoga, com Láurea Acadêmica de Graduação, e especialista em literatura brasileira, pela UEM. Membro da União Brasileira de Trovadores – Seção Maringá e atual presidente da Academia de Letras de Maringá. Autora dos livros: Delírios (poesias), A Fábula no Livro Didático (dissertação), As Três Estatuetas de Bronze (infanto-juvenil), O Tempo (poesias) e Germens da terra (contos).

A LUA E AS MULHERES

A lua afeta as mulheres
tal como afeta o mar:
o mar é maré;
a mulher amar é.
Algumas entornam-se em lágrimas de emoção;
outras tornam-se amargas como um “não”.
Algumas, vampiras;
outras, caipiras;
todas, mentiras.
Mas os homens deveriam saber a lição:
a culpa é do São Jorge,
que não domina o dragão.

***

COISA DE ASSOMBRAÇÃO

Povo de sítio sempre dormiu com as galinhas.

Na fazenda São Bento não era diferente. A fazenda ficava na água da Figueira, município de Rancho Alegre, no Paraná. Era uma fazenda de café rodeada por outros sítios e fazendas de gado. Quando os relógios anunciavam vinte horas, os donos e empregados já estavam todos dormindo, pois se levantavam antes das cinco da manhã, prontos para o trabalho.

Naquele ano, que devia ser 1955 ou 1956, aconteceram coisas muito estranhas por aquelas bandas.

Os colonos da fazenda começaram a ver assombração todas as sextas-feiras.

No início, só escutavam. Por volta da meia noite, uns e outros começaram a ouvir rezas e cantorias, dessas praticadas em funerais.

Logo se espalhou a história de que era a alma atormentada do coronel Bento, antigo dono da fazenda, avô dos atuais donos, que havia sido enterrado sem féretro, contrário à sua vontade. Diziam que o coronel queria um enterro pomposo, em um luxuoso caixão, mas os filhos, vingando-se da austeridade do pai, não quiseram satisfazer o desejo do velho.

Diziam que o fantasma do coronel estaria fazendo seu próprio funeral, ajudado por outras almas penadas. Mas ninguém se atrevia a abrir a janela de sua casa para olhar lá dentro da escuridão noturna e confirmar a história que já estava se tornando lenda.

Somente o Dito, apenas ele, por causa de uma aposta que acertaria suas dívidas na vendinha de seu Noca, atreveu-se a olhar pela janela entreaberta da sala de seu casebre.

Viu então um grande caixão sendo carregado por quatro homens, que murmuravam cânticos fúnebres; sobre o caixão, seis velas acesas.

Fechou depressa a janela, enquanto gritava:

– Alma penada, alma penada… Deus de amor!

Depois dessa aparição, ninguém mais, na colônia, saía de casa após as nove, nem ao menos deixava as janelas abertas nas noites quentes, para refrescar, ou apreciar a lua. Toda sexta-feira à noite, as almas penadas passavam pela colônia rumo ao rio, nos fundos da fazenda. O povo sabia disso e respeitava, ou melhor, temia.

Por essa mesma época, Zacarias, um dos donos daquelas terras, neto do coronel Bento, começou a sentir falta de algumas sacas de café de sua tulha. Sumiam em pequenas quantidades, sem que ninguém visse serem roubadas.

Enquanto Zacarias pressionava os empregados, estes ameaçavam ir embora; um pouco por causa da desconfiança do patrão e muito por medo da assombração.

Mas a cena do enterro continuava a acontecer; e o café a sumir.

Logo chegaram à fácil conclusão de que o avô Bento estava reclamando a sua parte dos lucros, aquela que os descendentes haviam deixado de gastar com o seu funeral. Nada era mais justo, consideravam alguns; coisa do demônio, diziam outros; o jeito é rezar, concluíram todos.

As coisas somente mudaram por aquelas bandas no dia em que houve o estouro da boiada do sítio vizinho, o Água Benta.

Faltava pouco para a meia-noite. As almas penadas já estavam passando com o caixão em frente da última casa da colônia e seguiam em direção do rio, quando, por causa de uma cobra que o picara, o boi Zebu rebentou a cerca, sendo seguido pelo resto da boiada.

Não houve jeito nem tempo para ter medo; os empregados tiveram que sair atrás do gado, para trazê-lo de volta.

Os boiadeiros deram então de cara com o tal enterro de almas penadas, que haviam sido atropeladas pela boiada.

Desfez-se, naquela noite, o mistério da fazenda São Bento.

Quatro homens abandonaram o caixão no meio do pasto e saíram correndo em disparada lá pelos lados do rio.

Ninguém teria tido coragem de ver o conteúdo do caixão se ele não tivesse se quebrado com a queda.

Dentro dele, nenhum vestígio do corpo ou da alma do velho coronel Bento. O que havia, isso sim, eram quatro sacas de café, que estavam sendo roubadas da tulha por moradores do outro lado da água da Figueira.

Achando graça do método utilizado e da originalidade do roubo, o delegado não prendeu os meliantes. Eles tiveram que devolver o café desviado e, por mera precaução, porque não se deve brincar com essas coisas, foram obrigados a fazer um belo túmulo para abrigar os restos mortais do coronel Bento.

O túmulo fora construído, mas a pena não pôde ser totalmente cumprida, porque não acharam os ossos do coronel. Em sua antiga vala, nenhum vestígio do corpo ou da alma do velho Bento; apenas germens.

Somente o Dito, apenas ele, continuou jurando que aquilo que vira era mesmo coisa de assombração.

***

Livros publicados:

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Delírios (poesias), 1991.

As-três-estatuetas-de-bronze.capa1-236x300
As três estatuetas de bronze (infanto-juvenil), 2000.

O-Tempo.capa1-199x300
O Tempo (poesias), 2003.

Germens-da-terra.capa1-199x300
Germens da terra (contos), 2004.

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Veja também:

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Contato:

OLGA AGULHON
E-mails: olgaagulhon@hotmail.com / olgaetoni@brturbo.com.br

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Cadeira nº. 02 – Patrono: Alberto de Oliveira

Pedro Aparecido de Paulo é técnico em elevadores. Nasceu em Sertanópolis – PR, no dia 21 de julho de 1946. Autor de Um pouquinho de Deus, de ti e de mim;Pedras e pétalas e Crepúsculo de saudade.

Mãe, o Mundo Encantado

Sua doutrina Bendita
faz a vida mais bonita
mesmo na dificuldade.
Seu olhar tão meigo e puro
traz o seu filho seguro,
irradia felicidade.

Sua face tão serena,
de uma coisa tão pequena
faz transformação total.
A primeira frase do filho
faz-se seu nome estribilho
e o transforma em festival.

Suas mãos acariciam
seus afagos contagiam
trazendo tranquila paz.
Atrai a felicidade
amor e sinceridade
vejam, do que ela é capaz.

Seu coração envolvente
faz do seu filho inocente
um mar de sabedoria.
Ensina-o a cada passo
defendendo-o do fracasso
com prazer e alegria.

Pode ser uma rainha
ou uma mãe pobrezinha
não importa a diferença.
Se ela não tem riqueza
não sabe o que por na mesa
a Deus pede providência

*

Teste de pincel

Em você, o meu primeiro visual,
comecei a pintá-la, tornando-a imortal,
diante de seu corpo desnudo;
curvas e traços confundidos,
qual beleza inigualável em tudo.
Ao iniciar não revisei a tela,
não imaginei uma forma assim tão bela,
pois fora apenas um teste de pincel.
Riscos e cores traçados devagar,
não havia em mim razão para pintar,
pois seria somente em teste, o meu papel.
Aos primeiros traços que foram surgindo,
mudou tudo enfim, que quadro tão lindo,
arrumei a tela com profunda emoção!
Ao ver o seu corpo retratado ali
É indescritível tudo o que senti,
pois pintava alguém em meu próprio coração.
Vi com outros olhos pincéis e tela;
consertei os riscos, deixando-a mais bela.
No quadro, então, moldei-a, enfim.
Completei com júbilo seu corpo sem igual!
Tão rara imagem tornou-se imortal,
tenho essa musa, bem juntinho a mim!

*

DIÁLOGO DE UM FILHO

Mamãe, onde estará meu pai neste momento,
faz tanto tempo que ele partiu, não mais voltou.
Disse-me ainda que eu era forte e de talento,
enxugou minhas lágrimas e chorando me abraçou.

Foi um momento tão difícil e muito triste,
eu não podia imaginar que fosse assim,
meus cinco anos não me ensinaram ver que existem
coisas que marcam com lembrança tão ruim.

O tempo passa, eu pergunto à mãe querida,
será que papai se lembra ainda que eu existo?
Já completei meus quinze anos de vida,
este meu sonho um dia ainda conquisto.

Quantas vezes vejo minha mãe chorando,
mas ao me ver ela tenta disfarçar,
sei que ela passa também o que estou passando
meu pai querido, volte logo ao nosso lar.

Porém a nossa fé ainda é imensa
e o Pai do Céu vai nos dar essa vitória,
em todo sofrimento haverá a recompensa
um dia com papai, exaltaremos a sua glória.

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Railda Masson Cardozo, natural de Maringá-Pr. Nascida em 29/10/1966 é casada com um casal de filhos. Estudou ensino fundamental e médio no Colégio estadual Branca da Mota Fernandes. Graduada em Letras com Pós Graduação em Literatura Inglesa-UEM com proficiência em Inglês pela University of Cambridge. É professora de inglês, intérprete, tradutora, poeta e escritora, atua como ghost writer.

Participante de 08 antologias, sendo a ultima um tributo a Evita Peron a nível nacional.  com obras em Braille, em inglês e em e-books

Railda Masson Cardozo, Atua como participante do projeto de pesquisa “Centro de Documentação Virtual de Literatura de Autoria Feminina Paranaense e Pesquisas Relacionadas”, na UEM- Universidade Estadual de Maringá.

Membro da Academia de Letras de Maringá, tendo como patrona Clarice Lispector.

Sócia-fundadora da UNIJORE: União dos Jornalistas e Escritores de Maringá.

Por meio do Projeto CIRANDA LITERARIA, pretende lançar mais 03 livros de poesias, complementando a primeira obra. ANITA. G. COM  numa homenagem a Anita Garibaldi, OVERDOSE DE AMOR e CAIXA DE PANDORA.

http://www.railda.recantodasletras.com.br

www.allpoetry.com

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Cadeira nº. 04 – Patrono: Álvares de Azevedo

Professor, graduado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), pós-graduado em Artes & Educação (FGF),  mestre em Teorias Literárias (UEM). Autor de Xeque-mate (1999) e Noites (2000).

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Livros publicados:

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Xeque-mate (1999)

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Noites (2000)

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Contato:

ROBERTH MARCEL FABRIS
E-mail: roberthfabris@bol.com.br

Cadeira nº. 33 – Patrono: Paulo Setúbal

Paulista de Assis, Rogério Recco nasceu no dia 25 de dezembro de 1956. Jornalista e autor dos livros: Cocamar, uma história em quatro décadas; À Sombra dos Ipês da Minha Terra (2005), Clareira Flamejante (2007); Em Algum Lugar – Viagem pela Alma de Um Povo (2007), Seu Joaquim, Um Brasileiro de Coragem (2009); e A Saga dos Kowalski (2009).

“VAI UM DINHEIRINHO AÍ?”

Antes, bem antes de o mundo se descobrir em meio a uma crise que está fazendo até urubu voar rasante – pra economizar energia -, acredite você: eu, que não entendo patavina de economia, finança internacional e nem nunca tive bola de cristal, estava prevendo toda essa enrascada.

Sim, e diga-se de passagem: enxergar isso era moleza, uma baba, embora, estranhamente, nenhum economista sabichão (desses que parecem estar comentando jogo de futebol) tivesse feito um alerta. E ouvi, de gente credenciada, que essa história de crise não passava de marolinha…

Pois bem. Não me refiro, propriamente, à implosão da economia norte-americana e nem ao seu devastador efeito dominó. Falo, isto sim, da vidinha brasileira e de milhões de inocentes conterrâneos que, descobrindo como era doce a rapadura, acabaram se engasgando e quase tendo uma bruta indigestão.

Explico. Até meses atrás, um ventilador mequetrefe podia ser comprado, nas Casas Bahia, em 60 “suaves” prestações mensais. Um carrinho 1.0, que moleza, podia ser adquirido em 100 parcelas! E o que dizer das “financeiras”? Elas disseminavam-se a torto e direito abordando gente na rua para emprestar dinheiro.

O mundo parecia generoso demais. Mas, para mim, esse troço não podia dar certo.

Bastava sair às ruas e apareciam umas mocinhas, folheto à mão, sorriso mecânico, a inquirir: “vai um dinheirinho aí?”.

Não demorou muito, deu no que deu. Nas lojas, só se fala em calote; quem comprou carro no longo prazo percebeu, já tarde, que o longo prazo era um prazo longo demais. E nas arapucas, ou melhor, financeiras, que chegavam a laçar transeuntes nas calçadas, quase ninguém está conseguindo pagar. A coisa ficou mais feia que o pau-de-arara dos famintos.

Um dia, abordado por uma dessas mocinhas que ofereciam dinheiro fácil, interrompi a caminhada decidido a descontar nela todas as mazelas dessa triste situação. Mas me contive, ainda bem.

Quer saber? Até que a mocinha não era tão feia assim. Felinamente, sentindo-se acuada, ela exibiu um sorriso maroto e um olhar de canto de olho que eu, bobalhão, me senti desarmado e pronto para engatar uma conversa sobre o calor, o movimento, enfim. Saí de fininho.

Bom, daquela grana que ela oferecia, valha-me Deus, eu nunca precisei. E, um dia, o que parecia inevitável aconteceu: muitas daquelas famigeradas financeiras tinham fechado as portas.

Da crise, enfim, tirei lições preciosas. Aprendi que é perigoso brincar com “marolinhas”, pois delas podem sair tsunamis…

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Livros publicados:

Novo livro:

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Veja também:

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Contato:

ROGÉRIO RECCO
Telefone: (44) 3028-5005
E-mail: rogeriorecco@flammacom.com.br

Cadeira nº. 39 – Patrono: Vicente de Carvalho

O advogado e professor Ulisses Maia já foi chefe do Núcleo Regional de Educação, presidente da Câmara de Vereadores e, interinamente, prefeito do município. Atualmente exerce o cargo de Chefe de Gabinete do prefeito. Nasceu em Maringá-PR, no dia 02 de setembro de 1969. Autor dos livros: Eleições 96 – comentários à nova Lei Eleitoral; Manual do vereador; Eleições 98 – comentários à nova Lei Eleitoral; Eleições municipais 2000; Eleições 2002 – roteiro completo e prático para as eleições; Vereador e a prática parlamentar; eDireito do Consumidor.

Direitos, deveres, leis e os recados das urnas

Vez ou outra alguém reclama do voto obrigatório. Pesquisa recente realizada pela CNT/Sensus mostrou que quase 59% dos brasileiros preferem o voto facultativo ao obrigatório. Gostaria de escolher se votariam ou não, em cada eleição.

Na mesma pesquisa é possível deduzir que cerca de 12% dos eleitores apenas deixaria de votar. Os demais, mesmo que o voto fosse facultativo, iriam às urnas exercer o seu direito de escolher o seu futuro.

As mulheres votaram no Brasil, pela primeira vez, em 1932. Elas lutaram por este direito. Desde 1988 os jovens de 16 anos podem votar. Ainda hoje há quem seja contra, mas o fato é que o primeiro voto é muito aguardado pela maioria dos jovens.

O direito de votar é algo que deveria ser entendido muito além do dever. Na democracia o voto é o ato supremo, é o que valida a igualdade. Abrir mão do voto é deixar aos outros o direito de escolher como será o nosso futuro.

As normas eleitorais têm evoluído no Brasil, eleição após eleição. Elas têm incorporado cada vez mais controles, garantindo mais igualdade entre os candidatos e punindo severamente abusos econômicos e outras irregularidades nas campanhas eleitorais.

Da mesma forma, os eleitores têm demonstrado cada vez mais atenção e maturidade.

Ao final das eleições, junto com os resultados, votos e urnas têm dado recados claros sobre a evolução dos brasileiros como cidadãos.

No ano passado, 2008, Maringá reelegeu pela primeira vez um prefeito. Ao longo da história, em treze eleições, os prefeitos eleitos eram oposição aos prefeitos em exercício.

Qual foi o recado das urnas?

Os eleitores têm demonstrado que aprenderam a acompanhar as administrações públicas. Dia após dia. Estão menos suscetíveis a propagandas e discursos, mais atentos a obras, a atos administrativos, a soluções dos problemas das comunidades e da cidade, a começar pelas mais simples.

A atitude das oposições é acompanhada com atenção e a devida dose de desconto pela óbvia parcialidade.

Planos de governo e promessas são avaliados com muito cuidado e critério. O passado dos candidatos conta, e muito, para avaliar e checar cada palavra dos candidatos, suas condições e capacidade de realizar o que fala.

Ações valem mais do que palavras. Os eleitores de Maringá mostram que estão à altura dos colégios eleitorais mais desenvolvidos, em busca de quem cumpre a lei e tem capacidade para representar os interesses de uma cidade que precisa ser cada vez mais organizada, dinâmica e bem-sucedida.

O controle social tem papel relevante nas mudanças coletivas e individuais da cidade. A administração municipal é, na verdade, a maior prestadora de serviços da cidade. Os eleitores são os patrões e a própria razão da existência do Estado.

O primeiro passo para exercer o controle e o poder social é o voto. O título de eleitor é o nosso documento mais importante. O cumprimento do dever, ao votar, nos dá o direito pleno à cidadania.

Maringá é uma jovem cidade, que fará 62 anos em 2009, em pleno vigor e desenvolvimento. Fruto de uma sociedade organizada e atuante, de um governo histórico, estabelecido e mantido pelo voto da maioria da população.

A democracia constitucional, as leis e os deveres dependem dos nossos atos, da nossa capacidade de entender o presente, respeitar a história e decidir sobre o futuro, dia a dia, lei a lei, voto a voto.

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Contato:

ULISSES MAIA
E-mail: ulisses@ulissesmaia.com.br

  • N° 5 – Padre Antonio Vieira –(Aninha Calijuri)
  • Nº 19 – Guimarães Rosa (José Hilário ) ( Nivaldo Donizete Mossato)
  • Nº 26 – Machado de Assis (Galdino Andradre) ( Emílio Germani)