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LEMBRANDO ANTONIO FACCI

(15/02/1941 – 10/03/2008)

Antonio Facci

Na estréia do site da ALM, não poderíamos deixar de fazer uma homenagem ao saudoso Antonio Facci, que tanto se dedicou à Academia de Letras de Maringá e com quem tivemos a honra e o privilégio de conviver.

O mérito da fundação da Academia de Letras de Maringá coube, entre outros acadêmicos, ao nosso primeiro presidente, o professor e escritor Galdino Andrade. Antonio Facci, porém, foi quem consolidou, deu vulto e projetou a Academia para todo o Brasil e até no exterior. É claro que ele não fez tudo sozinho, mas sua liderança era indiscutível e ele tinha o poder de aglutinar e motivar as pessoas que estavam ao seu lado.

Ao longo de sua atuação literária, Antonio Facci publicou 13 obras: “Mantenha acesa a chama da vida”, “Ex-passos”, “Do cio ao sombrio”, “Alento”, “Governadores – 30 anos”, “O soldado”, “Memórias de Prata”, “Queixas”, “Grafiteiro”, “Sem palavras”, “Parlamentar”, “Meus Passos no Leonismo” e “Paraíso e outros contos”. Com a mesma paixão, o mesmo carinho e a mesma competência, dedicava-se à prosa e à poesia, deixando um legado importantíssimo para a literatura maringaense.

Além de ser membro fundador da Academia de Letras de Maringá, ocupando a Cadeira nº.20, que tem como patrono Humberto de Campos, e ocupar o cargo de presidente da entidade de setembro de 2001 até seu falecimento em 10 de março de 2008, Antonio Facci também era titular da Cadeira nº.6 da Academia Brasileira de Leonismo, titular da Cadeira nº.20 da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, patrono da cadeira nº.8 da Academia Umuaramense de Letras e Artes, e sócio da União Brasileira de Trovadores (UBT) – seção de Maringá.

Deixou dezenas de textos publicados em coletâneas, jornais e revistas literárias.

Detinha, ainda, várias honrarias na área literária: Medalha de Ouro, no Concurso de Contos promovido pela Revista Brasília, com o texto “Alípio e Isabel”; Medalha de Prata, no Concurso Nacional de Poesia promovido pela Revista Brasília, com o poema “Poros”; Diploma de Honra ao Mérito pelos serviços prestados à literatura nacional, outorgado pela Academia Goiânia de Letras; Medalha de Mérito Acadêmico pelos serviços prestados à literatura, outorgado pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias; Medalha Juscelino Kubistchek de Oliveira, outorgada pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias; Medalha de Mérito Cultural Arcádico – Euclides Pery Rodrigues, outorgado pela Arcádia de Artes e Ciências Estéticas do Rio de janeiro; entre outras.

Sétimo dos dez filhos Vergílio Facci e de Maria Morroni, descendentes de italianos, nascido no dia 15 de fevereiro de 1941, em Cedral – SP, Antonio Facci era Serventuário da Justiça. Ocupou uma vaga na Assembléia Legislativa nas legislaturas de 1975/1978 e de 1979/1982. Também foi vereador pela cidade de Maringá (1973/1976), tendo disputado a eleição para prefeito em 1982. Em 1973/1974 ele se licenciou da Câmara Municipal para ser o Presidente Fundador do SAOP – Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação.

Homem público honrado que foi, obteve o reconhecimento daqueles que o elegeram, tanto que foi agraciado com os títulos de Cidadão Benemérito de Maringá, Cidadão Honorário de Floresta e Sarandi, e a menção de homenagem do Estado do Paraná.

Mesmo afastado da política de forma direta, nunca deixou de estar ligado à vida da comunidade, principalmente atuando como integrante do Lions Internacional, instituição da qual foi Governador do Distrito LD-6.

Tanto aqui deixou plantado, que centenas de pessoas estiveram na Câmara Municipal velando seu corpo e dando-lhe o último adeus.

Como disse o confrade A. A. de Assis, “foi uma perda irreparável para esta cidade e uma saudade que ficará eterna no coração de todos nós que tivemos o privilégio de com ele conviver”.

Saudades do Facci!

VERSOS DE ANTONIO FACCI

BARREIRAS

Romperam-se
As barreiras
Do tempo,
Ao ver sua silhueta.
Revivi os sonhos
Do menino-homem,
Abraçado à saudade
Do homem-menino.

(in: Coletânea da ALM, 2007)

***

Adormeceu suave,
alma pura.
Semblante sereno,
ternura.
Acordou feliz,
candura.

*

Viaja suave como a
pluma,
Sem temer do mar,
a espuma,
Feliz, feliz, feliz,
em suma.

(in: Suave – poemetos, 2007)

***

NATUREZA

Ouvindo o cantar dos passarinhos
E em cada som te encontrando,
Sinto a água do riacho
Nossos corpos tocando.
Os sons matinais da floresta
Toda a natureza em festa,
Transportam-me para o mar
Para dos golfinhos e baleias
Ouvir o murmurar.
Fico ouvindo embevecido
O som da chuva caindo

São os sons da natureza,
Envolvendo sua beleza.

(in: Coletânea da ALM, 2007)